A Zona de Exclusão dos Animais Selvagens

Depois de 30 anos do maior acidente nuclear da história, ainda ficamos perplexos ao descobrir o que anda acontecendo em Chernobil. Uma gigantesca área foi isolada após o acidente, hoje conhecida como Zona de Exclusão, ao seu redor cidades amplamente habitadas.

O desastre de Chernobil foi um acidente nuclear catastrófico que ocorreu em 26 de abril de 1986 na central eléctrica da Usina Nuclear de Chernobil, que estava sob a jurisdição direta das autoridades centrais da União Soviética.

Hoje a Zona de Exclusão é monitorada e estudada por câmeras remotas. Está repleta de animais selvagens, os prédios abandonados dividem espaço com a vegetação que vêm se sobrepondo às construções pouco a pouco.

Lobos, lebres, alces, antílopes, bisões, cavalos selvagens, javalis e os mais variados tipos de pássaros e espécies de animais habitam hoje as ruínas fantasmas; até mesmo a raríssima raposa vermelha pode ser encontrada. Incrível!

Poucos anos atrás, pensava-se que estes animais não haviam sofrido de maneira tão profunda como os seres humanos, os impactos da exposição à radiação.

Mas como nem tudo é um mar de rosas, depois de décadas de estudos descobriram algumas anomalias nos animais que habitam a Zona de Exclusão, como cérebros diferentes em proporções, formato dos olhos e das cabeças e principalmente o esperma destes animais; era de se esperar. Mesmo assim nada se compara aos danos causados pela presença dos seres humanos.

Nessa região existem muitos caçadores de lobos, lebres e bisões. Uma cultura predatória de crueldade, sem necessidade. As mortes causadas à estes animais pela presença dos seres humanos, ainda são maiores que as causadas pela radioatividade 1000 mil vezes maior que o normal.

Devemos nos envergonhar do nosso poder de destruição!

 

Michael Harner

Trailer: O Caminho do Xamã 2017, Michael Harner.

“THE WAY OF THE SHAMAN.” O Caminho do Xamã: O Trabalho de Michael e Sandra Harner. Documentário (69 min.) 2017

“O que Yogananda fez para o hinduísmo e DT Suzuki fez para o Zen, Michael Harner tem feito para o xamanismo, ou seja, trazer a tradição e sua riqueza para a consciência ocidental.
-Roger Walsh e Charles S. Grob, Sabedoria Superior

Este documentário conta a história de Michael e Sandra Harner na história e no desenvolvimento do xamanismo central, as práticas universais e comuns dos xamãs em todo o mundo. O filme leva-nos através das primeiras expedições de Michael como um jovem estudante de antropologia para as selvas da Amazônia equatoriana e peruana e sua vida-alterando insights sobre o poder xamânico. Os Harners estabeleceram a Fundação para Estudos Chamánicos para preservar, estudar e ensinar o xamanismo em benefício de todos, levando a um renascimento mundial do xamanismo através dos primeiros programas internacionais de treinamento da Fundação. O filme é um olhar informativo e inspirador para as pessoas por trás da evolução de uma nova metodologia de cura espiritual que honra e constrói sobre o antigo conhecimento dos xamãs do mundo. Através desses métodos, milhares de estudantes descobriram recursos espirituais escondidos, transformaram suas vidas e aprenderam como ajudar os outros e nossa preciosa Terra.

Shiva, Ganesha e Himalaias. O Xamanismo do Nepal.

A origem do xamanismo é Shiva.

É incrível a semelhança da iconografia do xamanismo himalaya com a do budismo tibetano (que por sua vez, herdou muito da religião xamânica pré-budismo do Tibete, o Bön) e com a do hinduísmo. É de se perguntar também quanto do budismo tibetano e do hinduísmo não vem do xamanismo himalaya, já que ele é praticado desde a idade da pedra, praticamente. Vamos conhecer agora uma história fascinante, a versão nepalesa da história de Ganesha, um dos principais deuses do panteão Hindu, “O Primeiro Xamã”.

Oração a Ganesha, o Guardião da Passagem

“Jai Ganesha, Jai Ganesha, Jai Ganesha Deva
Mata Shrii Parvai, Pita Mahadeva
Jai Ganesha, Jai Ganesha, Jai Ganesha Deva
Ek danta, dua danta, char bhuja dhari
Kapal bhari raato sindoor musa ko sawari
Jai Ganesha, Jai Ganesha, Jai Ganesha Deva”

(TRADUÇÃO)

“Oramos a ti Ganesha, Pai dos Deuses
Sua mãe é a senhora Parvati, seu pai Mahadeva
Oramos a ti Ganesha, Pai dos Deuses
Você que tem dois tipos de dentes e quatro braços fortes
Você que tem vermillion na testa
E cavalga em um rato
Oramos a ti Ganesha, Pai dos Deuses”

É obrigatório que todos os xamãs nepaleses — engajados em oração, ritual ou cerimônia — primeiro invoquem o deus com cabeça de elefante, Ganesha, já que ele foi o primeiro xamã na história do mundo. Ele foi o primeiro ser a experimentar a morte. Devido ao seu renascimento também foi capaz de dominar e superar a morte. Uma pessoa que deseja entender algo sobre xamanismo precisa primeiro experimentar sua própria morte. E essa é uma árdua tarefa! Mas como Indra Gurung, um xamã gurung do Nepal, diz, “sem a experiência de morte, não há xamanismo”. A pessoa que não morreu alguma vez como ser humano não pode entender nada sobre a natureza do xamanismo. Shiva e Parvati, o Senhor do Universo e a Filha dos Himalayas, conceberam o primeiro ser através do sexo e do erotismo. União em desejo e amor é a verdadeira origem de qualquer coisa, de toda criatura e todo ser humano. Sem nossos pais, nenhum de nós estaria aqui. “Nossos pais nos convidaram a estar aqui”.

O seguinte mito nepalês explica porque Ganesha é o primeiro xamã da história e o guardião da entrada.

Ganesha – O Primeiro Xamã

Shiva passou diversas eras na montanha sagrada de Kailash, concentrado em si mesmo e na criação. Seu lingam de fogo sem fim, alcançando o infinito, já havia demonstrado sua precedência e poder a Vishnu e Brahma, seus dois colegas divinos que foram feitos carne.

Quando Shiva tomou consciência de como era solitária sua vida nas alturas geladas, também percebeu a beleza incomparável de Parvati, a filha dos Himalayas. Profundamente atraído por sua graça e dignidade, ele devotou atenção total a essa deusa feminina; ele e seu lingam divino ficaram eternamente a disposição dela.

Parvati alegremente cedeu seus encantos a Shiva. Por séculos eles se entrelaçaram em um abraço divino, se ocupando em nada mais que o prazer mútuo.

O sol nasceu e se pôs incontáveis vezes diante de Shiva deliciado nos braços de sua esposa. Até ele sentir necessidade de explorar os mundos banhados pelos raios do sol Surya e a lua Chandra. Tomado de um alegre desejo de explorar o desconhecido e penetrar em novas realidades com todo seu divino poder, deixou Parvati e foi andar pelos mundos.

Após séculos vagando, seu caminho o levou de volta ao lugar em que ele experimentou sua maior glória — a terra de sua esposa divina, Parvati. Para grande surpresa de Shiva, ele encontrou um jovem esplêndido guardando essa familiar entrada.

Os músculos desse homem refletiam o sol poente e a graça de seus membros se assemelhava aos do próprio Shiva. Raivoso, ele foi até o intruso e exigiu saber quem ele era. O estranho respondeu ao onipotente em sua frente: “Essa é a minha casa. Eu sou o guardião do entrada. Quem é você, desconhecido, que entra em meu caminho de maneira tão pouco amigável?”. Com isso, uma fúria descomunal tomou conta de Shiva Mahadev. Espumando de raiva, ele decapitou o estranho com um só golpe e entrou em seu lar, negligenciado por tanto tempo.

“Quem era aquele estranho em minha porta?”, perguntou à sua esposa, ainda tremendo do encontro com o rival inesperado. “Aquele era o nosso filho”, respondeu Parvati já trêmula com o que estava por vir.

“Eu acabei de matá-lo”, lamentou em tom monótono. Horrorizado e sem esperança, o casal criador do início do espaço/tempo caiu um nos braços do outro. “Como eu poderia saber que era meu próprio filho?”. Parvati suspirou: “Como eu poderia te informar que você tem um filho, quando passa tanto tempo em mundos longínquos?”.

Assombrado pelo fato de ter permitido que sua raiva o levasse a um ato tão hediondo, Shiva Pashupati, o Senhor dos Animais, decidiu entrar na selva. Para gerar uma segunda vida ao filho, ele sacrificaria o primeiro animal que cruzasse seu caminho.

O primeiro que encontrou foi um elefante. Shiva Mahadev se curvou diante do Reis das Estepes e Florestas, cortou sua cabeça, agradeceu a criatura de quatro patas pelo sacrifício e carregou para casa a poderosa cabeça. Ele posicionou a cabeça do animal na carcaça sem vida do filho e soprou uma nova vida dentro dele.

Assim que Ganesha, filho de Shiva e Parvati, abriu os olhos para a nova existência, Shiva, o Destruidor e Criador do Universo, dirigiu essas palavras à cria divina: “Por favor, me perdoe pelo meu feito descuidado. Agora que você ressuscitou para uma nova vida, o primeiro agradecimento e a primeira invocação de qualquer ser vivo devem ser feitos a você. Antes que as pessoas possam prestar suas homenagens a mim, até o fim dos tempos elas devem primeiro oferecer seus respeitos a você.”

Ganesha, o ser com cabeça de elefante e barriga protuberante, Deus da Benevolência, Felicidade e Riqueza (do coração, não de dinheiro), veio ao mundo como o fruto da maior glória. Experimentou raiva, morte e uma reanimação com amor e piedade. Ele deve sua vida a essas energias emocionais e vitais contrastantes. Esse é o motivo dele ter se tornado o modelo para os shamans nativos do reino Hindu (apesar do fato de que a existência deles vem de tempos em que ainda nem havia religião institucionalizada). Ganesha se tornou o primeiro shaman a ser iniciado.

Todos os jhankris (xamãs nepaleses) invocam Ganesha primeiro, antes mesmo de Shiva e Agni. Eles fazem isso com a oração que introduz este capítulo. O rabanete (Raphanus sativus ou radicula) — conhecido como “mula” no Nepal — é a planta sagrada do Deus Elefante. Ele pode ser visto em máscaras ou em ilustrações pictográficas. Mas, na verdade, não há nenhuma relação real com o rabanete. Ao invés disso, trata-se de uma planta chamada “ban mula” (rabanete selvagem), “daling”, “belu chare” ou “pangla bung”. O gosto é similar ao do rabanete. Ela é comida afoitamente pelos xamãs, já que seu consumo fortalece o shakti (energia vital). Essa planta é um símbolo de Ganesha: é metade animal, metade vegetal. O rabanete selvagem é metade raiz, metade folhas — assim é um símbolo similar à mandrágora da Europa.

Shiva designou Ganesha como o guardião de passagens, cruzamentos e portais de todos os tempos e mundos possíveis. Projetado no corpo humano, Ganesha também é o Protetor dos Chakras. Ele guarda a entrada do chakra sexual, a fonte do poder shamânico curador. Esse chakra fundamental (muladhara chakra) é a fonte de toda a energia (shakti), sem o qual nenhum ser humano pode viver. Essa é a diferença entre humanos e xamãs. Humanos que não praticam tantra ou Kundalini Yoga não são capazes de canalizarem conscientemente essa energia. Já os xamãs transformam-na em amor incondicional e consciência universal.

A xamã Tamang, Maile Lama, explica para nós: “A energia (shakti) nasce no chakra sexual. Dali ela ascende para o chakra do coração, onde é transformada em amor. Esse é o poder curador shamânico. Se a energia subir mais, até o chakra da testa, a energia-amor se transforma no estado desperto. Alguém só é um ser humano completo quando todos os chakras se conectam um ao outro pela energia fluindo”. A origem da criatividade é a psicoatividade. A origem do xamanismo é Shiva. A origem das substâncias psicoativas é o amrita, o Elixir da Vida. Shiva é o Senhor das Plantas de Poder e o Deus da Psicoatividade. Apenas um espírito que é movido pode mover alguma coisa.

Surendra Bahadur Shahi

Dicionário dos animais, mensagens e medicinas.

No xamanismo passamos pela descoberta do animal guardião que está presente em cada um de nós. Seja chamado de animal de poder, espírito protetor, nagual, aliado totem, animal guardião. É o nosso alter ego, nosso duplo. Os animais estão mais próximos do que nós da Fonte Divina. O animal é mítico, onírico. Quando compartilhamos de sua consciência animal, podemos transcender o tempo e o espaço, e, as leis de causa e efeito. A natureza da relação entre o homem e o animal é de origem espiritual. É o nosso instinto animal, nosso lado mais forte e menos racional.

Os animais de poder são manifestações dos poderes arquetípicos ocultos, que estão por trás das transformações humanas. Torna as pessoas com um corpo vigoroso, aumenta a resistência a doenças, a acuidade mental, e a autoconfiança. Eles auxiliam no diagnóstico de doenças, na realização de objetivos desafiadores, para aumentar a disposição, auxiliam no auto-conhecimento. Enfim, um aliado. Michael Harner, em seu livro “The Way of The Shaman “ descreve que quando uma pessoa está doente ela está desanimada, ou seja ela perdeu sua força animal, está deprimida, fraca e predisposta a adoecer.
No xamanismo realizamos uma ritual, com tambor, para que os praticantes se conectem com seu animal, e também deixamos nosso animal aflorar através da “Dança do Animal”, uma outra forma de evocação. Os praticantes costumam também ter as suas canções, para evocar o poder dos animais.
Veja algumas tecnicas em Exercícios Xamânicos

Cada animal traz seus talentos, ou uma essência espiritual, e através disso, cada um com sua própria medicina, trasmitem-nos a sua sabedoria. Vamos conhecer alguns deles:

Alce – A energia de cura do Alce é a auto-estima, porque representa o poder de reconhecer que esta energia tem sido usada em diversas situações, fazendo-o merecedor de aplauso e reconhecimento. O som do chamado do Alce macho é uma coisa impressionante de se ouvir numa almiscarada noite de primavera. O orgulho de sua masculinidade e sua ânsia em compartilhar sua semente com uma fêmea de sua espécie são signos evidentes de sua forte auto-estima. A parte inferior do corpo de um Alce Americano pode ser encarada como uma força positiva, pois representa sua vontade de gritar ao mundo todos os seus sentimentos. Essa vontade de comunicar a todos sua felicidade é decorrente de um sentimento de auto-realização. Não há satisfação maior do que aquela proporcionada por um trabalho bem-feito. Esta ânsia em comunicar ao mundo suas realizações, presente na personalidade do Alce Americano, não é sinal da busca de reconhecimento e de aplauso, e sim a espontânea explosão de alegria que emerge das profundezas de cada um de nós. A sabedoria implícita no comportamento do Alce é a Consciência de que a criação constantemente traz à tona novas idéias e novas realizações. O que o Alce Americano está tentando nos dizer é que a alegria deve ser orgulhosamente proclamada aos quatro ventos. Nisto reside a sabedoria de que a alegria é contagiante, beneficiando a todas os que entram em contato com ela. Num certo sentido, aquele que festeja ruidosamente suas próprias vitórias está nos convidando a fazer o mesmo também, a saber comemorar os nossos sucessos e os sucessos dos outros. As pessoas do totem do Alce possuem a capacidade de reconhecer quando é preciso usar a gentileza característica dos cervos ou quando é preciso recorrer à potência do Búfalo. Elas sabem encontrar o equilíbrio entre a necessidade de dar ordens para que as coisas sejam feitas e a disposição de fazer as coisas sozinhas, sem a ajuda de ninguém. A sabedoria do Alce é semelhante à do Avô Guerreiro que já abandonou sua pintura de guerra há muito tempo e agora se empenha em prevenir os jovens impetuosos da importância de manter a cabeça fria. A alegria das pessoas do totem do Alce reside em ensinar e encorajar as crianças, orientando-as em direção ao bom caminho. Elas sabem usar a sabedoria adquirida tanto para censurar quanto para elogiar, e sabem encontrar sempre o melhor momento para dizer a palavra certa para a pessoa necessitada de incentivo ou orientação. As pessoas da energia do Alce Americano sempre sabem o que dizer, quando dizer e a quem dizer esta palavra certa.

Águia – Iluminação, a visão interior, invocada para poderes xamânicos, coragem, elevação do espírito a grandes alturas, orgulho, força independência e mobilidade. A águia voa sem medo entre o céu e a terra e nos ensina a encarar o medo natural que temos do desconhecido para podermos voa o mais alto que nossos corações queiram nos levar. Ela chega a viver até 70 anos. Mas, para chegar a essa idade, ela tem de tomar uma séria e difícil decisão por volta dos 40 anos. Nessa idade, ela está com as unhas compridas e flexíveis, não conseguindo mais caçar suas presas para se alimentar; seu bico alongado e pontiagudo já está curvo; suas asas estão apontando contra o peito envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas; e voar já está se tornando tarefa difícil !!! Então, a águia só tem duas alternativas: morrer… ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e recolher-se em um ninho próximo a um paredão, onde ela não necessite voar. Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico contra a rocha até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E somente depois meses ela sai para seu famoso vôo de renovação. E poderá viver, então, por mais 30 anos.
É isso o que às vezes temos que fazer em nossas vidas. Nos resguardarmos por algum tempo e começar um processo de renovação,para que continuemos a voar um vôo de vitória.

Aranha – A tecelã. Criatividade, a teia da vida, manifestação da magia de tecer nossos sonhos. A aranha tece a teia como tecemos a nossa realidade. Este remédio nos remete à lembrança de que somos nós que criamos a nossa própria realidade.

Baleia – Registros da Mãe Terra, sons que equilibram o corpo emocional, origens. Através do ritmo e padrões sonoros a baleia nos ensina e escutar a nossa voz interior, a entrarmos em contato com as nossas verdades pessoais e a termos sabedoria para sentir o pulsar do universo.

Beija-flor – Mensageiro da cura, amor romântico, claridade, graça, sorte, suavidade. O beija-flor se lança no mundo espalhando graça e beleza nos ensinando a apreciar as maravilhas e magias de nossa existência diária. Um dos maiores presentes que podemos obter seguindo seus ensinamentos é o de entender os enigmas e os mistérios que envolvem as dualidades e contradições. É só observar o comportamento desse Animal em relação às plantas e flores para percebemos como a sua presença está relacionada a reprodução. O beija-flor pode voar em qualquer direção: para cima, para baixo, para esquerda, para a direita e também paralisar no ar, como se estivesse observando e preparando seu próximo passo. Sua presença é pura alegria e sempre provoca reações de admiração. As pessoas que tem o beija-flor como Animal de Poder, geralmente são pessoas agradáveis, alegres e que vivem rodeadas de amigos. Elas conseguem contagiar o ambiente com sua alegria e encontram sempre uma forma, uma maneira de fazer quem estiver ao seu redor se sentir renovado e feliz , pelo simples fato de estar vivo. Usando a astúcia, a inteligência, a graça e não só a força física, estão sempre procurando uma maneira para embarcar numa nova aventura e jornada. Caso a tristeza se faça presente, procure preencher o seu coração com a alegria do beija-flor. Não deixe seu lado sombra tomar conta de você.
Ao sentir que seu coração se tornou duro, magoado e sem vontade para nada, procure andar pelos campos, pela mata, entre as flores e sinta os perfumes e odores que tanto atraem o beija-flor e lhe proporcionam tanta alegria.

Borboleta – Autotransformação, clareza mental, novas etapas, liberdade, renascimento. A borboleta representa os ciclos da vida, movimento e mudança. Elas possuem um período curto de vida. Elas nos preparam para mudanças e progressos. Quando você se sente estagnado e incapaz de se mover, a evolução entre em cena e lhe dá a força necessária para iniciar as mudanças. O medo é normalmente o maior obstáculo para as mudanças. A borboleta sai da segurança de seu casulo para se deparar com um novo mundo em sua nova forma confiando em suas asas frágeis em um vôo ainda desconhecido.
Insatisfações com sua vida, com relacionamentos e crises lhe forçam a tomar atitudes e promover mudanças radicais. A borboleta lhe trás a mensagem para você se preparar para as mudanças antes que elas caiam sobre você, sem aviso. Lembre-se que em todo fim há um novo começo.

Búfalo – Sabedoria ancestral, esperança, espiritualidade, preces, paz, tolerância, força proteção abundância e unidade. Quando ele surge, é hora de agradecer. Dê algo de volta para sua comunidade. Envolva-se com sua vida. Reconheça o Grande Espírito em todas as coisas. Confie e tenha fé. Plante uma árvore, adote um animal. Liberte-se de coisas que não lhe servem mais. Desista de atitudes que não lhe servem mais ao seu novo eu. O Búfalo nos ensina que a verdadeira prosperidade vem quando nos sentimos agradecidos pelo que possuímos e quando vivemos em harmonia e amor com todos os outros seres.

Cachorro – Lealdade, habilidade para amar incondicionalmente, estar a serviço.

Cágado – estabilidade, organização, longevidade, honra, paciência, sabedoria. Criaturas exclusivamente terrestres representam determinação e longevidade. Aqueles que o possuem como animal de poder levam as cargas dos outros além dos próprios pesos de suas experiências. São ótimos terapeutas, mas devem ter cuidado para não assumir o peso dos outros. Ele ainda leva a energia da paciência e perseverança. São muito sensíveis ao ambiente e possuem uma ligação psíquica forte com a mãe terra. Eles sentem as vibrações da terra e reagem fortemente a elas. Mudanças bruscas no clima podem afetar sua disposição. As pessoas deste animal precisam de um ambiente estável para se sentirem bem; sem esta estabilidade elas estão sujeitas a mudanças no humor. Sua habilidade de sobrevivência é devido à sua capacidade de estar centrado. São vegetarianos e dão muita importância à um lar estável. O fato de carregarem sua casa nas costas nos lembra que a verdadeira estabilidade está dentro de nós.
Seu movimento vagaroso nos ensina a observar e processar tudo eficientemente. Isto completa sua sabedoria. Lembre-se de se mover devagar em direção aos objetivos, se ele é seu animal. Confie em sua intuição.

Castor – Construtor. O castor trabalhar em cooperação para construir a sua casa e isto nos ensina que podemos criar e satisfazer com muito mais poder quando todos envolvidos em questão podem apreciar os talentos de cada um e trabalhar junto em harmonia.

Cavalo – Poder interior, liberdade de espírito, viagem xamânica, força, clarividência. Mas esta força não podemos fazer mal uso dela, nem desperdiça-la e nem mantê-la para nós mesmos. Quando compartilhamos o nosso poder com os outros e os ensinamos como eles devem cuidar de seus próprios poderes, a nossa jornada se torna mais rápida e mais agradável.

Chimpanzé – Viver em harmonia. Os chimpanzés estão muito próximos do homem na escala da evolução e eles podem nos ajudar a restaurar um modo simples de vida que nos dá alegria de viver. Eles podem nos dar alegria, curiosidade e soltura, como também a nossa habilidade para nos tornarmos membros mais completos na comunidade humana e natural.

Cisne – Garça. Os cisnes nos ensinam a confiar na graça de nosso ser à medida em que ela opera nos planos físicos e espiritual e nos coloca para nos deliciarmos com os dons de nossos corpos físicos e nossas mentes intuitivas.

Cobra – Transmutação, cura, regeneração, sabedoria, psiquismo, sensualidade. Como as cobras deixam para trás a sua pele, nós podemos deixar para trás as nossas ilusões e limitações para usarmos plenamente a nossa vitalidade e desejos para alcançar a totalidade.

Coelho – Medo Quanto mais focamos em nossos medos, mais os atraímos. O coelho nos ensina a atrair abundância, amor, saúde, e uma toca aconchegante, seca e segura.

Coiote – Malícia, artifício, criança interior, adaptabilidade, confiança, humor. O coiote é o trapaceiro. Quando estamos levando a nossa vida muito seriamente, o coiote nos ensina a rir de nós mesmos. Ele é também o reforçador karmico, nos lembrando que o que fizermos aos outros, será feito à nós.

Coruja – Habilidades ocultas, visão interior; ou ainda, ver na escuridão, a vigília, a sombra, sabedoria antiga e clarividência. A coruja possui a habilidade de ver coisas que as vezes nos escapam. O dom deste remédio é não nos enganarmos com as aparências externas e descobrir a verdade por trás delas.
Ela é a criatura da noite e da escuridão. Está ligada ao mundo desconhecido e escondido dos espíritos. Representa nossa mente subconsciente e com o oculto. Também está associada com a Lua e superstições. Alguns nativos americanos se referem à coruja como a águia da noite. Outros vêem a coruja com suspeita e medo. Ela é um bom augúrio para aqueles que estão sintonizados com alguma religião.
Se você tem a coruja como o animal de poder, sua mensagem é prestar atenção em seus sonhos e sentimentos. Questionar os seus medos e agir com intuição. Focalize em suas intenções e mova-se em direção as seus objetivos. Mantenha-se em silêncio e conserve sua energia para o momento certo de agir. Se você está enfrentando algumas incertezas e problemas, aquiete-se para poder enfrentar os seus medos e confusões. Evoque a coruja para ajudá-lo com o discernimento e conhecimento. Não tenha medo do escuro e do desconhecido. Explore seu mundo interior com confiança. Trabalhe para desenvolver clarividência. Faça uso de rituais e de influências da Lua para gerar poder e promover mudanças positivas.

Corvo – Curiosidade, inteligência, observação, visão e comunicação. O corvo é um mestre em mudanças e movimento. Ele é destemido e o guardião de coisas ocultas e sagradas. Ele é o interprete do desconhecido. Ele está sempre vigilante, observando tudo à sua volta. Existe algo do trapaceiro no corvo, eles são os piores fofoqueiros na natureza e não podem manter um segredo. Na mitologia Apolo tinha um corvo como mensageiro. Naquela época, todos os corvos eram brancos mas eles ficavam tão satisfeitos em dar notícias ruins que Apolo se cansou deles e os transformou na cor preta como a noite. Quando ele entra em sua vida, é hora de prestar atenção nos sinais, símbolos, profecias e sonhos. Faça as pazes com sua sombra. O corvo é atraído por objetos brilhantes. Nem tudo que brilha é ouro. Não se apodere do que não é seu, mas sempre esteja preparado para tirar vantagens de oportunidades escondidas. Confie em sua intuição e integridade pessoal.

Cougar – Poder, rapidez, equilíbrio, planejamento, paciência e astúcia. Respeite as fronteiras dos outros. Não desperdice energia. Pense antes de agir.Fique ligado(a).Focalize nos objetivos. Atreva-se a ser diferente. Compartilhe com os outros, mas não permita que eles sejam muito dependentes de você. Pratique o andar do cougar. Aprenda a se relaxar completamente e espreguiçar sempre que possível. Estude sempre o seu ambiente, use todos os seus sentidos. e confie neles. Seja firme, mas flexível.

Elefante – Longevidade, inteligência, memória ancestral, proteção, auto-suficiência e comprometimento. O elefante nos ensina a força da gentileza, do comprometimento e da comunicação nos relacionamentos.. Eles são completamente envolvidos com todos com quem ele possuem qualquer tipo de relacionamento. Eles são poderosos ao proteger e gentis ao cuidar. Os elefantes nunca esquecem.

Esquilo – Preparação, planejamento, adaptabilidade e conservação. O esquilo nos ensina a planejar e nos prepararmos para o futuro. Não use todas as suas reservas. Devemos sempre guardar alguma coisa para nos servir em tempos ruins. Prepare-se também para as mudanças periódicas. Entretanto, se você estiver acumulando coisas, livre-se delas. Faça um inventário. Procure saber onde você está gastando. Pode ser uma boa hora para se afaestar um pouco de todos. O esquilo não só nos ajuda a nos livrarmos de objetos físicos desnecessários como também de crenças negativas que minam nossa confiança no amor e abundância.

Falcão – Precisão, memória remota, coragem sabedoria, iluminação, preces ao Universo, mensageiro, olhar em volta, observar a distância e atenção ao detalhe. O falcão nos ensina a sermos observadores e a prestarmos atenção em coisas que estão passando desapercebidas. Os falcões podem aviestar uma presa do tamanho de um coelho à 3 kms de distância. Este pode ser um talento que não usamos uma benção pela qual não expressamos gratidão, ou uma mensagem dos espíritos.

Foca – A voz interior, e ainda, sonhos lúcidos, mover-se através das emoções, criatividade. A foca nos lembra de nossa conexão com os nossos ritmos, sentimentos e conhecimentos mais profundos representados pelo mar. Quando sentimos medo de nos afundarmos nestas profundezas, a foca nos lembrar com nadar. Elas tendem a ser desajeitadas quando não estão em seu habitat natural.

Gafanhoto – De acordo com Ted Andrews, o autor de “O Animal Fala”, o gafanhoto é considerado um símbolo da sorte boa, de boa graça, da abundância, e da virtude. Usando seus pés especialmente projetados, move-se pulando e um pulo pode jogar um gafanhoto a distâncias até vinte vezes seu próprio comprimento de corpo! Os gafanhotos fazem exame de uma possibilidade e se lançam para frente, passando em muito as várias etapas que outras criaturas teriam que fazer para cobrir a mesma distância.
As pessoas com este Totem normalmente acham que as coisas não se movem ou se desenvolvem do jeito que acontece com as outras pessoas. Quando um gafanhoto se apresenta, é porque está próximo um novo pulo para frente em sua vida. O simples fato disto estar chamando sua atenção já significa algo… Se você notou, existe uma razão para ter notado… Esta é minha filosofia. O gafanhoto de chifre curto está relacionado aos locustídeos e ambos serão discutidos aqui. Como todos os insetos são de sangue frio eles são mais ativos quando estão mais mornos. Possui aproximadamente 10.000 espécies e cada uma tem sua própria canção original. Com algumas exceções somente os machos podem cantar. Durante a corte de acasalamento, os gafanhotos masculinos podem se alternar cantando canções, competindo com outro para a atenção das fêmeas. Uma das dádivas desses insetos é o poder da canção e do som. A canção é uma maneira antiga para alterar a consciência e comunicar-se com nossas relações do mundo animal e dos espíritos. Algumas canções americanas nativas datam ao menos de 20.000 anos. Se este inseto cantor chamou sua atenção com sua canção, podem estar lhe pedindo para você honrar seus antepassados e se conectar com sua verdadeira herança. Escutando e respondendo à sua voz interna assim como. Usá-la de uma maneira complementar em direção a você mesmo e ao outro.
Os gafanhotos locustídeos são associados com viagem astral. Têm a habilidade de pular o tempo e no espaço onde os mistérios verdadeiros da vida existem. Os povos com a medicina do gafanhoto têm a sabedoria necessária para superar eficientemente obstáculos e podem saltar em riscos bem sucedidos sem preparação ou planejamento. Quando o gafanhoto locustídeo aparece para nós estamos sendo pedidos para dar pulo de fé e para saltar para frente em uma área específica da vida, sem medo. Geralmente essa área específica é uma que nós evitamos e é conectada frequentemente à mudança em uma escala maior. Isto pode representar uma mudança na posição, relacionamentos, carreira ou apenas na maneira que nós nos percebemos. A superpopulação e a falta de alimento fazem dos gafanhotos normalmente calmos, locustídeos temidos, capazes de descascar uma floresta ou uma fazenda no piscar de olho. Eles se tornam escuros, quase que pretos, de modo que possam absorver mais luz solar para ter o calor e a energia para manter seu enxame. Continuarão com este fervilhar até que alcancem um lugar com bastante alimento, ou que bastante deles sejam mortos para controlar a população.
Aqueles com um gafanhoto-locustídeo como um totem devem recordar que os presentes da terra de mãe estão disponíveis para todos se usado em uma maneira sagrada. Às vezes uma pessoa esquece-se desse equilíbrio sagrado e pega mais do que é preciso. Isto pode também ser simbólico dos indivíduos que tomam de você. Outros estão exigindo demasiado de seu tempo, sua energia? A responsabilidade está sendo colocada em seus ombros que não é sua por direito? Estes são algumas das perguntas para se fazer se os gafanhoto-locustídeo se apresentarem a você. Recorde que a vida se torna somente mais difícil quando nós recusarmos pular para frente na mágica da mudança.

Gambá – Auto-respeito. Quando nós nos aceitamos completamente e aprendemos a expressar a nossa essência, sem ego, nós atraímos aqueles que compartilham nosso caminho e repelimos aqueles que não. Seu lema é “Faça o que você diz”.

Ganso Canadense – Círculo Sagrado, vigilância e proteção. A migração do Ganso Canadense marca a passagem do Grande Círculo do Ano e nos lembra da sacralidade dos ciclos da vida. Também podemos aprender muito do comportamento cooperativo e comunitário desses pássaros que nunca abandonam um membro do grupo doente ou ferido e que sabem quando liderar e quando procurar alguém para tal. São conhecidos por seu destemor para defender a sua casa.

Gato – Entendimento sobre mistérios, sensualidade, limpeza, visões místicas, independência, completude. O gato é um animal que combina um alto grau de sensualidade com uma natureza profundamente psíquica e espiritual. Ele nos lembra que os mundos espirituais e físicos não são separados, mas um só. Observe quando o seu gato não chega perto de alguém. Talvez é para você também não querer esta pessoa por perto.

Girafa – Visão focada. O mais alto dos animais com seu peso bem distribuído e somente fica vulnerável quando curva o seu pescoço para beber água. Ela nos ensina a ver a vida de forma focada e ao mesmo tempo expansiva e que em nosso desejo de expandir a nossa espiritualidade devemos sempre nos lembrar que nós somos criaturas físicas.

Golfinho – Pureza, iluminação do ser, sabedoria, paz, amor, harmonia, comunicação, sopro da vida, além da habilidade de se movimentar com desenvoltura por ambientes pouco amigáveis. Eles nos ensinam que ao sintonizarmos com os ritmos e padrões da natureza podemos aprender a verdadeira comunicação com o Todo Poderoso e a compartilhar esta sabedoria com os outros.

Hipopótamo – Profundezas Emocionais. É um animal sagrado para a tradição egípcia e Africana e é o segundo mamífero em tamanho. Ele nos guia a nos firmarmos na realidade para podermos encarar e dissolver questões emocionais ( o poder da água).

Lagarto – Devaneio. Em nossos sonhos imaginamos futuros diferentes e escolhemos qual iremos materializar. O lagarto nos ensina a importância de respeitar e a lembrar de nossos sonhos.

Leão – Poder, força, majestade, prosperidade, nobreza, liderança, coragem, segurança e o princípio masculino. Como símbolo astrológico ele reina o coração. A coragem vem do coração e de um sentido profundo de autoridade pessoal que cria o poder para agirmos de acordo com o nosso espírito. Aquele que age verdadeiramente de acordo com seu coração é capaz de liderança, conquistas e o tipo de sucesso que encoraja as conquistas do outros. Ele é considerado o rei dos animais por não ter um predador natural e vive no topo da cadeia alimentar.

Leão da Montanha – Liderança. Ser verdadeiro consigo mesmo não permitindo nem o medo da responsabilidade e o ciúmes e inseguranças de outros interfira em seu caminho. Esta é a marca de um verdadeiro líder.

Leopardo – Chita – Velocidade e foco. Diferente dos outros felinos que espreitam a caça e depois pulam sobre suas presas para matar, o leopardo, o mais rápido animal de quatro patas, corre para pegar a sua presa. Esta é uma lição para conseguirmos o nosso objetivo com grande velocidade, sem perdermos o foco. Quando nos sentimos paralisados, o leopardo pode nos dar o impulso para começarmos a nos movimentar. Se estamos já correndo numa grande velocidade mas sem direção, a energia do leopardo nos ajuda a mantermos os nossos olhos em nossos objetivos e a encontrarmos qual a melhor direção para consegui-los.

Leopardo da Neve – Graça, foco, silêncio, força, poder, agilidade e independência. Sua mensagem é a força do silêncio compenetrado. Ele nos ensina a sermos silenciosos, alerta e prontos para quando uma oportunidade se apresentar. Se você o tem como animal de poder, use da força do silêncio em sua vantagem. Não fale muito sobre seus objetivos futuros até que os tenha conquistado. Eles sabem como usar cada quantum de energia de seu corpo. Você possui energia mais do que suficiente para realizar efetivamente seus objetivos e normalmente responde bem em situações de pressão. Entretanto, tente não sobrecarregar-se em compromissos. Busque seus objetivos com todas as suas forças mas também tenha tempo para descansar e se divertir.

Libélula – Ilusão. Quando nos enganamos, acreditando que limitações físicas nos impedem de mudar e crescer, a Libélula nos ensina a atravessarmos estas ilusões.

Lobo – Amor, relacionamentos saudáveis, fidelidade, generosidade, ensinamento e habilidades sociais. O lobo é um animal com inteligência social e sentidos extremamente apurados. Sua habilidade de sobrevivência depende totalmente da cooperação de sua matilha. Seu comportamento segue uma hierarquia que segue uma ordem de comando. Cada lobo sabe o seu lugar e suas responsabilidades. Eles possuem um método complexo de comunicação que envolve linguagem corporal e habilidades vocais. Se você possui alguma dificuldade em se expressar, tome algum tempo estudando os lobos. Eles lhe ensinarão a melhorar suas habilidades de comunicação verbal com uma linguagem corporal apropriada. Eles lhe ajudarão a alcançar seus objetivos por meio de campanhas cooperativas. Sua mensagem é o poder para ensinar e compartilhar informações. Quando um lobo é visto no campo ele simboliza liberdade. Apesar da propaganda negativa, eles são muito amigos e possuem os sentidos extremamente evoluídos. Portanto, além de inteligentes possuem um excelente sentido de olfato, audição. Eles normalmente uivam para encontrar os outros membros de seu grupo ou para avisar outros de seu território. Se um lobo entrou em sua vida, então é hora para compartilhar seus conhecimentos ensinando, escrevendo e dando palestras. O lobo sempre encontra uma maneira para aprender de algo corriqueiro e assim, nós podemos também descobrir novas verdades e compartilhá-las, ao explorarmos os caminhos escondidos de nossa consciência. Pode também estar sendo cobrado que você reexamine sua relação de dependência e independência. Por ter uma organização social muita desenvolvida, ele lhe ensina a equilibrar as necessidades de sua família e as suas próprias. Eles são muito leais e jamais abandonarão o grupo.

Lontra – A Curandeira. A lontra é receptiva, alegre e livre de ciúmes. Ela nos ensina a habilidade de nos sentirmos em casa em ambos os mundos. Na mitologia, a lontra era reverenciada por sua habilidade de se mover sem esforço dentro e fora d’água. Assim que homens e mulheres começam a expressar suas qualidades mais nobres que vem da lontra, o mundo pode se tornar um lugar agradável e alegre onde todos se divertirão sem medo de perdas ou danos. Ela também adora a vida e tudo que faz é aproveitar, brincando, flutuando sobre suas costas, comendo caranguejos enquanto equilibra uma pedra em sua barriga e fazendo bebezinhos.

Morcego – renascimento, iniciação, reencarnação, habilidades mágicas, transformação e renovação. Os morcegos possuem uma história longa associada à morte e renascimento por sua natureza noturna e sua habilidade de ver no escuro O iniciados do Xamã passam por um ritual de morte onde eles encaram seus medos e renascem sem suas velhas identidades. O remédio do morcego nos ensina a libertar os nossos medos e qualquer outro padrão que não se encaixa mais em nosso crescimento.

Onça – Espreita proteção do espaço, silêncio, observação, precisão.

Orca – Domínio sobre o fraco. Ela é um grande predador do mar e como os golfinhos, elas caçam se divertindo. Elas são relutantes em compartilhar o que sabem, mesmo com os de seu grupo. Elas possuem uma habilidade de levar as suas presas indefesas para locais isolados de onde é impossível escapar, e aí, ficam brincando com elas até as matarem.

Pantera – mistério, sensualidade, sexualidade, beleza, sedução, força, flexibilidade.

Pavão – Este pássaro é honrado em todo o mundo por sua beleza. Também está associado com ressurreição. Para nós, ele pode nos ajudar a nos livrarmos das penas velhas do passado e exigir a nossa verdadeira beleza de nossas naturezas individuais. Isto reforça a nossa confiança e auto-estima.

Pombo – Paz. A paz simbolizada pela pomba é da mais profunda. Ela acalma as nossas preocupações e pensamentos inquietantes e nos permite encontrar renovação no silêncio da mente.

Raccoon – Destreza, agilidade, disfarce. Apesar de sua máscara estar associada com bandidos, ela possui um significado mais profundo. Ninguém é tão calmo quanto aparenta ser, mesmo para nós mesmos. Isto nos ensina a assumir ou liberar os diversos papeis que representamos.

Raposa – Camuflagem. O maior dom da raposa é saber quando sair para caçar sem ficar correndo em círculos. Quando estivermos prontos para nos desapegarmos de nosso ambiente a observar com todos os nossos sentidos, então estaremos prontos para antecipar e criar o nosso próprio futuro.

Rato – Capacidade de explorar detalhadamente. O rato nos faz prestar atenção a cada detalhe que poderíamos estar perdendo em nossa louca mania de querer ver amplamente, e também nos lembra para não desconsiderar o óbvio.

Salamandra – Transformação. Este animal nos ajudar a conectar com os mistérios da terra e nos sentirmos firmes no momento presente. Algumas salamandras são terrestres e outras aquáticas. Também estão ligadas ao elemento fogo. Na natureza existe a oportunidade de fluir no tempo e no espaço, que é o território da magia. Ultrapassar fronteiras enquanto estamos parados como uma pedra, deixando que o tempo místico o transporte deixando as suas impressões em sua vida.
A vastidão atemporal da natureza, o velho e o novo, se manifestam, com a jornada da contemplação, enquanto nós descansamos na imobilidade. Para a salamandra, o mundo onírico é a liberdade das correntes de um ego detido.

Salmão – Sabedoria. O salmão se lança em seu objetivo principal contra todos os obstáculos, para estar reunido com o Divino. A energia deste animal nos ajuda a desenvolver a sabedoria de encontrar significado e propósito em nossas vidas, e nos mover nos com perseverança em nosso caminho espiritual.

Sapo – Evolução, limpeza, transformação, cura, mistério, humor, emoções. A água limpa a terra árida e devolve a vida; como o sapo limpar as nossas energias física e mental que nos privam de harmonia e paz, e ajuda a reabastecer nossa própria habilidade de nos curarmos em todos os níveis.

Tatu – Proteção, Discriminação e Limites. Possui um escudo nas costas e debaixo dele é a sua área mais vulnerável. Por isso quando ameaçado ele se torna uma bola, enrolando o próprio corpo. Suas garras são excelentes instrumentos para cavar o chão a procura de objetos escondidos. Sua mensagem é lhe lembrar que você pode estar precisando fazer algumas mudanças no que diz respeito a seu espaço pessoal. Estabeleça limites. Proteja-se mas tenha fé para poder viver sua vida de forma plena. Tome consciência para definir suas fronteiras emocionais e físicas.

Texugo – Agressivo, corajoso, pé no chão, perseverante confiável. Apesar de ser um animal noturno, ele é ativo dia e noite. Vive em tocas e por isso possui um excelente conhecimento das raízes sendo considerado o Guardião das Raízes. É um animal anti-social e não se comunica bem com os outros. Quando ele surge em sua vida é para lhe lembrar que você deve ser mais sério em suas coisas. Defenda mais seus pontos de vista. Não é hora para fechar os olhos ou olhar para o outro lado.
Ele é um excelente antídoto para a passividade e a vitimização. Pare de ser negativo e temeroso. Assuma a responsabilidade de suas escolhas e não será mais uma vítima.

Tigre – Aqui e agora. O tigre é um caçador solitário e silencioso e simboliza a remoção de todas as distrações da mente e o foco no momento presente. Assim o tigre é capaz de reunir todas as suas habilidades para obter sucesso. São independentes e confiantes. Com grande força muscular, eles são capazes de correr grandes distâncias em perseguição de uma presa. Ele nos ensina foco, paciência e surpresa. Possuem excelentes qualidades curativas e podem ver seis vezes mais do que os humanos no escuro. Quando o tigre aparece, prepare-se para desafios, aventuras e mudanças. O poder, a paixão e vitalidade do tigre ativarão os mesmos componentes em você.

Urso – introspecção, intuição, cura, consciência, ensinamentos, curiosidade, histamina e renovação. O urso representa o lado Oeste da Roda Medicinal que é o lugar da intuição, transformação, introspecção, jornada xamânica, sonhos e visões. Ele nos ensina a ir para dentro para solucionar questões e promover curas. Vá sempre à sua Caverna de Inverno (mente subconsciente) para renovação e recursos necessários para sua sobrevivência e cura. Ele nos ensina também a digerir nossas experiências internas e a descobrir que lá se encontra as respostas para nossas perguntas.

Veado – Gentileza, camuflagem, graça e atenção. Sua mensagem é o amor incondicional. Este animal lhe diz para usar menos força e não confrontar seu inimigo agora. É hora para compaixão e perdão. Aprenda a confiar. Tente algo novo, Não tenha vergonha de chorar. Passe mais tempo ao ar livre. Somente o amor pode dissolver as barreiras que nos previnem de nossa total realização.

Zebra – Individualidade. As listas da zebra servem como camuflagem contra predadores que são incapazes de pegar um indivíduo de uma manada. Ela nos ensina a mantermos nossa individualidade dentro de um grupo.

Maha Mrityunjaya Mantra, o elixir de longa vida.

Domínio sobre a morte e o tempo.

Conforme os textos sagrados Hindus, o Param Brahma – Deus supremo, rege o universo através de seus três principais aspectos – a trindade divina: a criação por Brahma, preservação por Vishnu e a transmutação por Shiva. O mantra é o aspecto vibratório da divindade e o Mahamrityunjaya Mantra representa Shiva que como regenerador evita e elimina efermidades, e como transmutador eleva o ser aos níveis superiores da consciência. Shiva tem diversas formas divinas, bem superiores às de outros aspectos divinos. De todas elas, a mais benevolente e importante é a do Mahamrityunjaya: Deus que permite a conquista da morte. A morte é, obviamente, inevitável, porém não deve ser intempestiva. Os sábios antigos e os iogues, descobriram meios pelos quais a morte intempestiva pode ser prevenida, o melhor deles sendo o Mahamrityunjaya Mantra. Shiva destrói o veneno dos problemas sentidos pelos seus devotos, brindando-os com o elixir da saúde, com a longevidade e os benefícios divinos.

A pessoa que canta diariamente o Mahamrityunjaya Mantra fica livre de todas as doenças e atinge a longevidade e, depois da morte, a alma se funde com Shiva. A repetição do mantra faz com que a pessoa fique livre de doenças e atinja a longevidade, criando melhores condições para se vencer as limitações humanas. É um meio de relacionamento com o Indestrutível, o Imperecível e o Eterno.

O Mahamrityunjaya Mantra


OM TRYAMBAKAM YAJAMAHE
SUGANDHIM PUSHTIVARDHANAM
URVARUKAMIVA BANDHANAM
MRITYORMUKSHIYA MAMRITAT

“Venero o Senhor Shiva, aquele que possui 3 olhos,
Senhor de todos os sentidos e sustentador do universo.
Conceda-me a imortalidade, liberta-me da morte
assim como 
a fruta madura se desprende facilmente de seu talo.”


O significado

“OM” é uma sílaba que contém toda a consciência divina manifestada e não manifestada A vibração de seu som, inaudível aos nossos ouvidos, é perceptível ao ser interno. Tem o poder de purificar o ser inteiror, eliminar a desarmonia e incentivar mudanças nas pessoas ao redor.

“Tryambakam” significa três olhos. O aspecto divino possui três olhos. O terceiro olho é o da onisciência, da verdade suprema, da sabedoria indescritível.

“Yajamahe” significa, nós meditamos, adoramos, veneramos.

“Sugandhim” esta palavra é composta de su (bom) e gandha de (fragrância, odor). Deus é a fragância preciosa do amor ilimitado, puro, infinito e perfeito.

“Pushti vardhanam” Deus, que é onisciente nutre e sustenta todas as formas de vida porque Deus é a fonte de toda vida e, como tal, responde aos pedidos do devoto.

“Urvarukam-iva bandhanan” compara, figurativamente, a alma do homem com o pepino maduro que é facilmente libertado do seu talo.

“Mityor-mukshiya” é uma súplica “assim, Ó Deus, liberta-me da morte, de todas as limitações, de toda escuridão e infelicidade.” A morte não significa só a morte física mas sim, a ignorância, a falta de devoção e desamor. Assim sendo, existem várias formas de morrer e o devoto pede a Deus que o liberte de todas elas.

“Mamritat” concede imortalidade. ‘Amrita’ significa imortalidade, néctar. Deus nos nutre com o néctar da imortalidade, nos brinda com saúde, força e sabedoria divina, valores eternos que nos preparam a fim de ter a experiência divina. A paciência, resistência, abnegação, pureza e anulação do ego são as condições prévias e essenciais para a realização divina. Tais qualidades representam o néctar da imortalidade.

Resumindo, temos:

“Ó Deus Onisciente, nós O adoramos. Ó Deus pleno de fragrância, Tu és o grande provedor e sustentador de toda vida. Assim como o pepino ou a fruta madura se desprende facilmente de seu talo, assim também liberta-nos da morte, concedendo o néctar de Imortalidade.”

Medite no significado deste Mantra enquanto você o repete. Dirija toda sua atenção interna para o onipotente, o onisciente. Onde quer que você olhe, Deus está lá: dentro de você, em seus olhos, em sua alma. Se você repetir o mantra desta maneira, receberá grandes bênçãos, Ele lhe concederá melhor saúde, preservando-o de todos os tipos de infelicidade, todo seu ser se transformará, você se tornará uma nova pessoa. Este mantra é uma grande benção. Repita-o incessantemente com grande devoção e concentração. Quanto maior sua devoção e fé em Deus mais poderoso o mantra se tornará. Se vierem distrações, transforme-as em meios para sentir Deus. No seu dia a dia, não se ocupe com maledicências e demais atividades mundanas, mantenha o silêncio interior e a contínua repetição mental do mantra.


Como praticar o Mantra

Ao cantar o mantra deve-se sentar com a face para o leste ou para o norte. De preferência usar um japamala/rosário de Rudraksha e com o dedo mediano e o polegar mover as contas. Coloque um recipiente de cobre, cheio de água, em frente a você. Ao completar a repetição do mantra 108 vezes, beba a água. Pode-se também borrifar um pouco desta água ao redor do quarto ou dentro do recinto cantando o mantra. Isto fará com que a energia negativa ao redor do ambiente seja destruída.

Nada impede que a qualquer hora do dia ou em qualquer situação se recite o mantra ou ouça um CD. É muito importante que a pronúncia seja correta porque o efeito provem da vibração sonora.

Benefícios e vantagens do Mantra

Este mantra emite vibrações positivas divinas formando, ao seu redor, um escudo divino (Kavacha). Este escudo o salvará das efermidades e influências negativas. Este mantra o transformará curando suas doenças internas, rejuvenescendo-o e lhe ajudará a anular as circunstâncias severas. Ao repetir o mantra, mentalize que Shiva o está curando, dando-lhe longevidade. O efeito deste mantra aumenta quando ele é cantado concentrando-se na imagem do Mahamrityunjaya Yantra (mandala violeta).

O Maha Mrityunjaya é um mantra doador de vida. Este mantra resguarda da morte e acidentes de todos os tipos. Tem um grande poder curativo e deve ser repetido sempre antes de qualquer viagem. É também um Moksha-mantra que outorga a liberação. É um mantra do Senhor Shiva que proporciona saúde, vida longa, liberação e prosperidade.

O Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase.

Uma primeira definição desse fenômeno complexo, e possivelmente a menos arriscada, será: Xamanismo = Técnica do Êxtase.

Atualmente existe à disposição uma pletora de obras sobre o xamanismo, algumas com nfoque antropológico, outras com enfoque histórico, outras com enfoque ficcional e outras ainda (certamente a maior parte) com um enfoque místico que poderíamos chamar de new age. É preciso deixar claro que é o primeiro enfoque, o antropológico, que produz a maior parte do material sobre o qual os outros enfoques se sustentam, sendo a literatura new age aquela que mais tende a distorcer este material em benefício de ideologias do momento. Mas sendo o material antropológico muito vasto, heterogêneo e especializado, creio ser preferível iniciarmos nossa investigação com uma obra clássica de enfoque histórico mas cujo alcance conceitual foi sentido mesmo dentro da antropologia. Trata-se de O Xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase (1998 [1951]), talvez a mais influente obra até hoje sobre xamanismo, escrita pelo historiador das religiões romeno Mircea Eliade.

“Apesar das numerosas reservas que atualmente se fazem a esta imponente obra”, aponta lucidamente Bernard S. D’Anglure, “ela permanece a melhor introdução ao xamanismo, no tocante tanto aos temas abordados quanto à diversidade de tradições culturais descritas” (1996). Apesar de a influência desta definição de xamanismo ter sido mais explícita nas pesquisas de cunho histórico (cf.Sullivan,1988) e fenomenológico (cf.Ripinsky-Naxon, 1993), ela também pode ser percebida em pesquisas antropológicas e etnográficas de outras orientações, que mesmo quando não fazem referência direta à obra de Eliade adotam o conceito de técnicas do êxtase para tratar das experiências xamânicas (cf.Langdon, 1992 e 1996). O motivo da ausência de referências explícitas a Eliade por
parte dos antropólogos e etnólogos é de fácil compreensão: Eliade é famoso por nunca ter pesquisado o xamanismo fora das bibliotecas e, principalmente, por ter distorcido informações para que se encaixassem em seu projeto purista e essencialista de descobrir “o verdadeiro xamanismo Siberiano”4. No entanto como explicar a ampla influência (mesmo que anônima) de sua definição de xamanismo como técnica do êxtase?

Falar de xamanismo é uma atividade controversa, pois a idéia de que exista um “xamanismo” em geral independente dos “xamãs” particulares é apenas uma ficção metodológica. Cada sociedade tem seus próprios rituais de iniciação ao xamanismo, e mesmo dentro de uma mesma sociedade estes rituais podem variar de acordo com o caso. Além disso, atualmente já se sabe que a palavra “xamã”, apesar de designar a pessoa, não indica exatamente uma propriedade da pessoa mas sim uma qualidade dela, um poder que ela adquire e que ela pode também perder; não é algo que se é e sim algo que se tem ou que se pode. Por último, é preciso não se esquecer da máxima epistemológica a produção de conhecimento influencia no próprio conhecimento produzido, sintetizada no slogan “saber é poder”: o olhar que cada antropólogo em cada época e contexto lançou a cada xamã certamente influenciou aquilo que ele viu. Jeremy Narby e Francis Huxley mostram isso muito bem na coletânea Shamans Through Time: 500 Years on the Path to Knowledge: se há alguma coisa que mudou nos últimos cinco séculos de pesquisas sobre o xamanismo, foi “o olhar dos pesquisadores” (Narby e Huxley, 2001). Assim não podemos, a princípio, falar de “xamanismo” a não ser como um “tipo-ideal” construído a partir de muitos estudos particulares de casos particulares e ainda em processo de formação.

Mas se a análise comparativa de práticas xamânicas de uma grande quantidade de tribos diferentes não nos oferece mais do que um “tipo-ideal”, isso não nos impede de usar esta tipologia como recurso interpretativo. É preciso apenas atentar para que a forma “xamanismo” nunca deixe de se informar sobre as singularidades da matéria dos xamãs, nunca se torne um molde acabado que então só reduziria esta matéria a uma forma pré-estabelecida. E não é isso que deveria ocorrer com qualquer (bom) conceito? É verdade que não existe um xamanismo em geral, apenas xamãs particulares. Mas a descoberta de um traço comum a todos os xamãs conhecidos e capaz de dar conta de suas singularidades certamente pode dar origem a um conceito de xamanismo. O conceito eliadeano de “xamanismo como técnica do êxtase” tem tido uma boa aceitação na antropologia, apesar dos problemas de seu criador7, pelo simples fato de que ele dá conta do fenômeno e é capaz de se deixar informar por cada nova descoberta feita sobre o fenômeno. Ele se disseminou pois conseguiu captar, mesmo que por vias equivocadas, uma característica fundamental do fenômeno, a saber: a capacidade do xamã de controlar tecnicamente o êxtase seu e alheio. Quanto mais se conhece os xamãs mais se percebe que é justamente isso que os caracteriza. Suas viagens para os mundos espirituais, seus transes, suas canções, seus mitos, seus rituais de cura, adivinhação, propiciação etc., apesar de todas as singularidades contextuais, podem ser definidos como diferentes formas de operar um transporte para a dimensão pré-individual das relações com o objetivo de transformálas de acordo com as necessidades (como quem consegue dirigir seu próprio sonho, só que tornando-o realidade).

Xamanismo “STRICTU SENSU”

A compreensão adequada da influente definição eliadeana de xamanismo como técnica do êxtase depende do conhecimento do contexto em que foi apresentada. Eliade escreveu em uma época em que a compreensão do xamanismo “se aprofundava” (cf. Narby e Huxley, 2001), e temos motivos para crer que a sua mistura peculiar (e muitas vezes prejudicial) de dispersão documental e concentração conceitual contribuiu enormemente para este aprofundamento. Tratava-se, num primeiro momento, de um esforço explícito pela defi nição daquilo que ele chamou de “xamanismo stricto sensu”: “um fenômeno religioso siberiano e centro-asiático”. Além das implicações etimológicas (a palavra “xamã” deriva do tungue, idioma dos Evencos, da Sibéria), o autor argumentava que a “vida mágico-religiosa” dos povos siberianos e centro-asiáticos gira em torno do xamanismo, pois “em toda essa região, onde a experiência extática é considerada a experiência religiosa por excelência, é o xamã, e apenas ele, o grande mestre do êxtase”. Mas se a definição eliadeana do xamanismo partia de um xamanismo geográfica e historicamente específico, em seguida ela se transforma numa espécie de “tipo-ideal” encontrado em diferentes graus de “pureza” por todo o mundo9 e caracterizado por aquilo que ele denominou de “as técnicas do êxtase”. E é partindo deste recorte que, logo no início do livro, ele clama por uma distinção entre o “xamanismo stricto sensu” e a enorme variedade de termos “análogos” que abundam na literatura especializada e que, a seu ver, só prejudica a compreensão do “fenômeno xamânico em si”:

“Se por ‘xamã’ se entender qualquer mago, feiticeiro, medicine-man ou extático [a tradução para o português acrescenta ainda “curandeiro” e “pajé”] encontrado ao longo da história das religiões e da
etnologia religiosa, chegar-se-á a uma noção ao mesmo tempo extremamente complexa e imprecisa, cuja utilidade é difícil perceber, visto já dispormos dos termos ‘mago’ e ‘feiticeiro’ para exprimir noções tão
díspares quanto aproximativas como as de ‘magia’ ou ‘mística primitiva’.”

“Magia e magos há praticamente em todo o mundo, ao passo que o xamanismo aponta para uma ‘especialidade’ mágica específica […] : o ‘domínio do fogo’, o vôo mágico etc. Por isso, embora o xamã
tenha, entre outras qualidades, a de mago, não é qualquer mago que pode ser qualificado de xamã. A
mesma precisão se impõe a propósito das curas xamânicas: todo medicine-man cura, mas o xamã emprega um método que lhe é exclusivo. As técnicas xamânicas do êxtase, por sua vez, não esgotam todas as variedades da experiência extática registradas na história das religiões e na etnologia religiosa; não se pode, portanto, considerar qualquer extático como um xamã: este é o especialista em um transe, durante o qual se acredita que sua alma deixa o corpo para realizar ascensões celestes ou descensões infernais.”

Sendo, portanto, as “técnicas do êxtase” o elemento distintivo deste “fenômeno xamânico em si”/”xamanismo stricto sensu”, nada mais indicado do que iniciar nossa pesquisa a partir do uso que o historiador das religiões faz daquele termo. No entanto, debruçando sobre o seu uso do termo “êxtase”, nos deparamos de imediato com um excesso de definições conflitantes e nada sistemáticas que acaba por comprometer o poder analítico do tipo-ideal proposto. Não mais do que três páginas após afirmar que “não se pode […] considerar qualquer extático como um xamã”, por exemplo, Eliade transforma em sinônimos “xamã” e “extático”, “experiência xamânica” e “experiência extática”. E basta um estudo sistemático da obra para perceber que esta confusão terminológica jamais se esclarece – pelo contrário, se complica, sua terminologia variando indefinidamente. Ainda mais lamentável é o fato de que esta “indefinição” provoca contradições notáveis na própria argumentação de Eliade em favor do “xamanismo stricto sensu” e contra suas variações “desvirtuadas”, “degradadas” e “decadentes”, como quando ele afirma que, dada a “trans-historicidade” e a “completa reversibilidade” do “sagrado”, “nenhuma ‘forma’ é exemplo de degradação e decomposição, nenhuma ‘história’ é definitiva”, ou que “não há a menor probabilidade de se encontrar, em parte alguma do mundo ou da história, um fenômeno religioso
‘puro’ e perfeitamente ‘original’, […] pois a ‘história’ ocorreu em todos os lugares, modificando, refundindo, enriquecendo ou empobrecendo as concepções religiosas, as criações mitológicas, os ritos, as técnicas do êxtase”. Mas é inútil insistir na demonstração das inconsistências terminológicas da definição eliadeana de “xamanismo stricto sensu”, visto que a perspectiva da história das religiões parece mesmo não apresentar como problema esta maleabilidade conceitual. Pelo contrário, ela parece apoiarse nela, transformando-a mesmo na essência do próprio “fenômeno religioso”14, o que explica o seu muitas vezes alegado “misticismo”.

Além disso, Eliade nunca dissimulou a sua busca por um xamanismo “ideal”, e para isso empregou uma impressionante quantidade de livros e artigos, principalmente sobre o xamanismo asiático. Por isso, quando dizia “xamanismo em si”, ele se referia menos às práticas rituais do xamã em seu contexto social particular e mais a uma “simbologia do êxtase”, cristalizada naquilo que ele chamou de “ideologia xamânica”. Talvez pudéssemos dizer que os principais méritos de sua pesquisa foram dois: (1) organizar e sintetizar a enorme quantidade de pesquisas disponíveis até então sobre xamanismo, dando
início a uma nova fase no estudo do fenômeno; e (2) propor uma terminologia unificada, mesmo sem tê-la desenvolvido plenamente, composta pelas noções de “xamanismo stricto sensu” e, principalmente, “técnicas do êxtase”. Não se trata aqui, portanto, de criticar a ambição de Eliade por uma definição do “fenômeno xamânico em si” a partir de conceitos obscuros e pouco atentos à realidade etnográfica (isto já foi feito a contento pela antropologia). Pelo contrário, partimos da constatação de que esta definição de xamanismo (“xamanismo=técnica do êxtase”) se aplica com enorme propriedade às mais diversas manifestações do fenômeno16, sendo nosso objetivo, na verdade, retomá-la a partir de uma revisão crítica da própria noção de “técnica do êxtase”, tarefa esta que não foi realizada nem por Eliade e nem por mais ninguém – o que me parece surpreendente, visto que, tudo leva a crer, uma das principais causas da confusão terminológica que assola os estudos de fenômenos classificados como “religiosos” e que finda por comprometer a sua aplicação para além de um misticismo nebuloso é justamente a ausência de uma maior preocupação com o rigor conceitual.

As técnicas “Arcaicas”

Apesar da abundância de definições que Eliade oferece para o êxtase ao longo de O Xamanismo…, em nenhum lugar encontramos uma síntese completa que englobe todas elas. Mas algumas destas definições “parciais” são particularmente eloqüentes, como quando, considerando a “doença-iniciação” dos xamãs, Eliade afirma: “As doenças, os sonhos e os êxtases mais ou menos patogênicos são […] meios de acesso à condição de xamã. Às vezes, essas experiências singulares significam apenas uma ‘escolha’ […]. Mas quase sempre as doenças, os sonhos e os êxtases constituem em si uma iniciação, ou seja, conseguem transformar o homem profano de antes da ‘escolha’ em um técnico do sagrado. É claro que essa experiência de ordem extática é sempre […] seguida por uma instrução teórica e prática a cargo dos velhos mestres, mas não deixa por isso de ser decisiva, pois é ela que modifica radicalmente o status religioso da pessoa ‘escolhida’. […] [T]odas as experiências extáticas que decidem a vocação do futuro xamã comportam o esquema tradicional das cerimônias de iniciação: sofrimento, morte e ressurreição. […] Certos sofrimentos físicos serão traduzidos com precisão numa forma de morte (simbólica) iniciática, como por exemplo no despedaçamento do corpo do candidato (=doente), experiência extática […]. […] Quanto ao conteúdo dessas experiências extáticas iniciais, embora seja bastante rico, quase sempre comporta um ou vários dos seguintes temas: despedaçamento do corpo seguido pela renovação dos órgãos internos e das vísceras, ascensão ao Céu e diálogo com os deuses ou os espíritos; descida aos Infernos e contato com os espíritos e as almas dos xamãs mortos; revelações diversas de ordem religiosa e xamânica (segredos do ofício).”

Temos aqui uma série de elementos constitutivos do êxtase enquanto experiência iniciática. Em primeiro lugar, a forte relação entre “doença”, “sonho” e “êxtase”. Esta relação, retomada diversas vezes ao longo da obra, se baseia no fato de que, no xamanismo, a doença está diretamente ligada à “perda da alma”17 e o sonho é, em si, uma “viagem da alma”. Assim, sendo o êxtase diversas vezes descrito como um “abandono do corpo pela alma”, temos que “doença” e “sonho” podem ser vistos como “experiências extáticas”. Mas mais importante é a relação estabelecida entre “êxtase” e “morte”, que introduz a temática do “esquema tradicional das cerimônias de iniciação”.

Eliade constata que, para além das diversas variações nas formas de recrutamento, iniciação e outorga de poderes xamânicos encontradas nas diferentes manifestações culturais do xamanismo (às quais ele dedica a maior parte dos quatro primeiros capítulos de seu livro), é na experiência extática da morte ritual que reside a essência do processo iniciático. O “despedaçamento do corpo” do candidato, sua “descida ao Inferno” e as “revelações” aí obtidas são as etapas de uma “morte ritual” que, no xamanismo, constitui a essência mesmo da iniciação nas “técnicas do êxtase”. Isso porque é a experiência da morte ritual que irá revelar ao xamã: (1) a forma como seu corpo é mutilado, devorado e renovado pelos espíritos (“desmembramento”); (2) o itinerário perigoso e cheio de “pontes” e “passagens perigosas” que a alma humana deve percorrer em seu caminho para o “mundo dos mortos” (“descida ao Inferno”); e (3) a instrução do xamã, por parte dos espíritos e deuses (“revelações”), nas técnicas que permitirão não apenas a sua própria ressurreição mas, principalmente, a repetição da viagem sempre que necessário: as “técnicas do êxtase”. A experiência “extático-mórbida iniciática” do xamã (caracterizadas pela doença e pelos sonhos extáticos, entre outros) é, portanto, essencialmente didática. Mas o “conhecimento” alcançado nesta experiência não fica restrito ao ambiente do próprio xamanismo, sendo posteriormente incorporado na mitologia, nos rituais e naquilo que Eliade chamou de “geografia funerária”:

“É graças à sua capacidade de viajar para os mundos sobrenaturais e de ver os seres sobre-humanos
(deuses, demônios, espíritos dos mortos etc.) que o xamã pôde contribuir de maneira decisiva para o conhecimento da morte. É provável que grande número de características da ‘geografia funerária’ e que certo número de temas da mitologia da morte sejam resultado das experiências extáticas dos xamãs. As paisagens que o xamã avista e as personagens que encontra em suas viagens extáticas para o além são minuciosamente descritas por ele mesmo, durante ou após o transe. O mundo desconhecido e terrificante da morte toma forma, organiza-se segundo tipos específicos; acaba ganhando estrutura e, com o tempo, torna-se familiar e aceitável. […] Aos poucos, o mundo dos mortos vai-se tornando cognoscível, e a própria morte acaba assumindo o valor de rito de passagem para um modo de ser espiritual.”

O conhecimento adquirido pelo xamã em suas experiências extático-mórbidas seria, assim, numa espécie de autopoese escatológica, a própria matéria prima da qual seriam compostos os mitos e as crenças relativas à morte. Mas dentre as habilidades xamânicas tornadas possíveis por estas experiências de “morte ritual”, uma é de especial interesse para nós. Trata-se da “psicopompia”, e sua relevância reside no fato de que ela apresenta, em forma condensada, os principais elementos daquilo que Eliade denominou “as técnicas do êxtase”:

“O xamã é curandeiro e psicopompo porque conhece as técnicas do êxtase, isto é, porque sua alma pode abandonar impunemente o corpo e vagar por enormes distâncias, entrar nos Infernos e subir ao Céu.
Ele conhece, por experiência extática pessoal, os itinerários das regiões extraterrenas. Pode descer aos
Infernos e subir ao Céu porque já esteve lá. O risco de perder-se nessas regiões proibidas é sempre grande, mas, santificado pela iniciação e munido de seus espíritos guardiões, o xamã é o único ser humano que pode correr esse risco e aventurar-se numa geografia mística. […] É […] graças a essa capacidade extática que o xamã […] conhece o itinerário e, além disso, é capaz de controlar e conduzir ‘almas’, sejam elas de pessoas ou de animais.”

Aqui nós encontramos, relacionados, termos freqüentemente usados por Eliade para definir o êxtase, como: o “abandono do corpo pela alma”; a “descida aos Infernos”; a “ascensão ao Céu”; o conhecimento dos “itinerários das regiões extraterrenas” (da “geografia mítica”); e a “condução de almas” (“psicopompia” propriamente dita). Segundo Eliade, para ser capaz de conduzir uma alma ao seu destino final, o “xamã-psicopompo” precisa: (1) ser capaz de abandonar “impunemente” (ou seja, sem morte definitiva) o próprio corpo e assim assumir a forma espiritual da alma que deve conduzir; (2) ser capaz de orientar seu vôo para cima (“Céu”) ou para baixo (“Inferno”), de acordo com as necessidades; (3) ter acesso ao “além”, ou aos “mundos sobrenaturais”, e assim transpor a “passagem difícil” que tradicionalmente prende a alma do morto recente ao mundo dos vivos, causando os mais variados problemas; e (4) conhecer a “geografia mítica” de forma a conduzir a alma, sem transtornos, para o seu destino adequado. Sendo estes os elementos básicos da psicopompia, e sendo a psicopompia uma possível aplicação das técnicas do êxtase, é apenas lógico que possamos tomá-los como uma lista de técnicas do êxtase. Note-se que o êxtase não é apanágio dos xamãs, sendo as “técnicas” do êxtase aquilo que os distingue dos “demais extáticos”. A centralidade das “técnicas xamânicas” para esta visão do xamanismo pode ser confirmada pela sua permanência nos estudos de Lawrence E. Sullivan (1988) sobre o “xamanismo sulamericano como técnica do êxtase”. Sullivan consegue ir muito além de Eliade naquilo que ele chamou de “total hermeneutics of the religious condition of mankind” (Sullivan,1988), certamente por ter se beneficiado pelos “criticismos recentes e inovações das ciências culturais, especialmente a antropologia” (Sullivan, 1988), mas principalmente por empregar, na dimensão temporal, um esquema tripartido (primórdios, cosmos e apocalipse), em lugar do “dualismo trágico” eliadeano entre o “tempo histórico” e o “tempo mítico”.

No sétimo capítulo de Icanchu’s Drum, dedicado aos “especialistas”, Sullivan (1988) apresenta o xamanismo como sendo aquela especialidade religiosa cuja legitimação se baseia na “experiência extática”, classificando o xamã, portanto, como “ecstatic specialist”. Afirmando, como Eliade o havia feito em relação aos povos Siberianos, uma certa “ubiqüidade e importância central na América do Sul” da “experiência extática” (Sullivan, 1988), Sullivan dedica pouquíssimo espaço às duas outras “bases de autoridade religiosa” (“possessão” e “cânone”), evidenciando ainda mais a importância da noção de “êxtase” para a sua visão do xamanismo. Para explicitar esta importância, cabe citar aqui o parágrafo introdutório à seção dedicada ao xamanismo (“ecstatic specialists”):

É importante perceber que, para Sullivan (assim como para Eliade no caso do xamanismo siberiano), o xamã não é o único “ecstatic specialist”, mas apenas “o mais importante e bem conhecido […] na América do Sul”, e que portanto o que o caracteriza não é o êxtase em si, mas sim a sua especialização “no conhecimento e cuidado das almas dos outros”, i.e., seu meta-êxtase.

 

Nações das estrelas. O que nos contam os nativo-americanos.

O índio é um sábio no que diz respeito aos UFOs

A origem de vários grupos nativos dos EUA é considerada pelos próprios como extraterrestre, pois suas culturas são fortemente influenciadas por ensinamentos transmitidos pelas “Nações das Estrelas”. Os peles-vermelhas – como são chamados os índios norte-americanos – têm plena consciência de que os desastrosos acontecimentos em várias partes do mundo atual já haviam sido anunciados aos nativos através de antigas profecias de suas tribos. A mais importante delas é a que se refere à clara manifestação sobre a Terra das civilizações extraterrestres.

Standing Elk [Alce em Pé], líder místico da tribo Lakota, vê com apreensão o risco de colapso nos métodos financeiros mundiais, especialmente dentro dos Estados Unidos e das instituições religiosas. Floyd Hand, conselheiro espiritual da nação Oglala, fala das inundações, incêndios e terremotos, além da intensa seca e o aumento de mortes devido a má distribuição e a falta de alimentos. Tudo isso já estaria previsto nas profecias indígenas, os fenômenos El Niño, La Niña e a morte de milhares de africanos todos os dias, seriam confirmações indiretas de tais previsões. Wambdi Wicasa [Homem Cervo], líder espiritual dos Dakota, vai mais longe e enfatiza que toda a Humanidade deveria ter recebido a mesma cultura dos povos indígenas, mas como isso não aconteceu, os homens das estrelas estarão coagidos, se necessário, a intervir para restabelecer o equilíbrio físico e espiritual do planeta. Ele nos alerta para a entrada da Terra na Quinta Era, mas antes da dimensão espiritual, deveremos viver novas e diversas épocas. Holy Bull [Touro Sagrado], outro mediador dos Lakota, relembra as palavras pronunciadas em 1854 pelo líder Seattle, da tribo Suwamish, onde dizia que “a Terra era preciosa para Deus e maltratá-la seria desprezar seu criador, quem contaminava seu leito seria sufocado pelo próprio lixo, a Terra não pertencia ao homem, mas o homem à Terra e qualquer coisa errada que se faça, faz-se a si mesmo…”

No entanto, a humanidade, aprisionada em sua própria arrogância e ignorância, nem ao menos ouve estas palavras. Standing Elk explicou que o povo das estrelas está aqui para encorajar o crescimento espiritual do ser humano e que deverá acontecer uma aproximação de raças em direção à Terra, num período de grandes provas, mas seguido de mil anos de paz. Existem, todavia, entidades e forças que não desejam a revelação da verdade, mas os peles-vermelhas sabem que as previsões já estão acontecendo. Elk costuma declamar o que chama de a derradeira mensagem: “Depois que a última árvore tenha sido derrubada, depois que o último rio tenha sido envenenado, depois que o último peixe tenha sido capturado. Então, descobrirás que o dinheiro não pode ser comido.”iNDIO

Censura e punições

O líder Lakota revelou que os chefes místicos de cada tribo (os remediadores) têm a capacidade de comunicar-se com entidades espirituais da Mãe Terra e com seres provenientes das estrelas. Este poder de transmissão constituiria uma séria ameaça para as instituições religiosas, econômicas e governamentais do planeta, pois civilizações do Universo estariam entrando em contato com os peles-vermelhas através de métodos espirituais, o que é abominado pelo governo norte-americano. Este é o motivo principal que induziu os donos do poder a considerar ilegal o credo das tribos Lakota e Dakota, banindo suas tradições culturais seculares. Os líderes espirituais eram punidos com severidade, chegando a ser condenados a mais de 30 anos de detenção caso fossem vistos ou se realizassem atos de prece às Nações das Estrelas durante as cerimônias tradicionais celebradas em sua língua original. Para cristianizar os “pagãos”, os EUA cortavam as rações de comida necessárias à sobrevivência dos nativos, impondo-lhes o modo cristão de viver. Com isso, impediam que sua cultura tradicional – que os leva a crer serem descendentes de extraterrestres – se alastrasse. As pessoas que se esforçavam para preservar seus ritos místicos e sua cultura eram privadas do fornecimento de comida por vários meses. Standing Elk declarou ainda que quem executava tudo isso eram, geralmente, chefes religiosos e não necessariamente autoridades do governo. A pesada censura valeu até o ex-presidente Jimmy Carter promulgar, em agosto de 1978, a Lei Ato para Liberdade de Religião, que dava aos nativos certa liberdade de terem suas próprias formas de religiosidade. Por estes motivos e pela tentativa do homem branco em explorar o conhecimento dos homens das estrelas apenas por interesses econômicos, os chefes espirituais indígenas decidiram manter a mais total discrição em relação aos seus conhecimentos cósmicos, informando aos seus descendentes somente o que fosse necessário para construção de sua alma.

Os Contatos

Elk citou variadas vezes, desde criança, que foi testemunha de observações de UFOs. Num desses casos, viu quatro esferas luminosas de cor verde sobrevoarem a área próxima ao Rio Missouri e, de dentro delas, saírem seres alienígenas. Em outra ocasião, teve oportunidade de ver bem de perto uma destas entidades. O extraterrestre vestia-se de branco, com cerca de 2,10m de altura e parecia um homem de origem caucasiana.

Contou também vários depoimentos por ele obtidos de outros líderes e, segundo suas pesquisas, existem no Universo inúmeras raças: As lendas dos Sioux falam de civilizações provenientes das Plêiades e dos sistemas estelares de Sírius e Órion. Um remediador dos Sioux relatou a Standing Elk um encontro que teve com um ser pertencente à raça por nós definida como Grays [Cinzas], durante um ritual de purificação e iniciação no interior de uma tenda. Outro detalhe diz respeito aos símbolos encontrados nos destroços da nave acidentada em Roswell. Segundo o líder Lakota, vários nativos estiveram próximos do local da queda e sensibilizaram-se com os mortos. Cada um daqueles criptogramas teria dois significados, um às lendas universais e outro às espirituais.

Floyd Hand, da nação Oglala, falou dos seres denominados de Avatares, que seriam figuras semelhantes aos mestres Jesus, Buda e Maomé. Seriam entidades de proveniência extraterrestre que assumiriam várias formas. A lenda da Mulher Bisão Branco é um exemplo. Ela sempre se manifestou aos peles-vermelhas em diversos momentos históricos, dando-lhes ciência de fatos que aconteceriam no futuro.

A história fala de um ser que apareceu em épocas antigas e que instruiu o povo através de conhecimentos universais e sua presença entre os índios veio a influenciar seus modelos de vida social. Explicou ainda que os indígenas da Terra provêm de sete diferentes raças extraterrestres.Muitos líderes espirituais nativos enfatizam a importância em se acreditar em UFOs. Harry Charger, ancião Lakota, disse que os irmãos estelares visitam a tribo há tempos e que ele se habituou desde pequeno com a idéia do homem não ser o único habitante do Universo. Charger contou ainda uma lenda sobre uma jovem e linda mulher, que apareceu a dois exploradores nativos e transmitiu seus valiosos ensinamentos espirituais. Um dos homens, no entanto, tentou seduzir a misteriosa fêmea e acabou morrendo. O outro, ao contrário, prestou respeitosa atenção e divulgou ao seu povo o conhecimento recebido. Steve Red Buffalo, da mesma tribo, explicou que seus antepassados provêm da constelação das Plêiades. Falou também do Chanupa, o cachimbo sagrado que simboliza a união da Terra e o céu.

O índio é um sábio no que diz respeito aos UFO

Na cultura dos indígenas norte-americanos, cada raça do planeta representa um dos quatro elementos da natureza. A branca simboliza o fogo e a negra a água, os povos amarelos representam o ar e os vermelhos a terra. Wambdi Wicasa acredita que as quatro raças primordiais terrestres esqueceram-se de quais eram seus papéis e quais elementos representavam, cometendo graves erros e gerando a situação de degradação ambiental em que estamos vivendo. Preston Scott, da tribo dos Choctaw, narrou um encontro que teve com três seres quando escalava uma montanha próxima à aldeia. As criaturas lhe instruíram a ir para a terra dos Lakota, onde receberia lições espirituais para transmitir ao seu povo. Disse que, graças a esses ensinamentos, os Choctaw superaram o momento de crise pelo qual estavam atravessando e reencontraram o seu caminho. Também defendeu que os nativos do planeta sejam descendentes de povos extraterrestres. Scott contou ainda outra história, de um jovem índio que recebeu energia de um raio de luz, fazendo a indicação de que se tratava de uma nave. Para o povo Heyoka, antigo aliado dos Choctaw, tal acontecimento é visto como um tipo de batismo espiritual – nós, homens brancos, chamamos de abdução. Mais uma vez, percebemos a importância e a necessidade de uma revisão detalhada na história desses antigos povos – pessoas simples, que viveram sempre em comunhão com a “Mãe Terra”, nunca fizeram mal a ninguém e conheciam segredos cósmicos que nós, caras-pálidas, apenas agora começamos, timidamente, a notar.

Terence McKenna – O Retorno à Cultura Arcaica.

Só de ler você já fica em estado ampliado de consciência.

O mundo vai se acabar em 2012. Entraremos então na Supermente, o Logos, matriz de toda a linguagem. O OVNI é uma inteligência superior com que podemos entrar em contato através dos cogumelos. A realidade virtual transformará os sons em imagens. As raves são espaços privilegiados para a transcendência e superação do ego. Estamos agora no limiar de um retorno à cultura arcaica e ao xamanismo. Todas essas idéias e memes estão inevitavelmente ligados a Terence McKenna. Falecido em 03 de abril de 2000, McKenna era considerado por muitos o sucessor de Timothy Leary. Guru psicodélico, McKenna era um explorador do caminho aberto por Huxley, Wasson, Leary, Metzner e outros no estudo dos efeitos das substâncias psicodélicas sobre a imaginação humana. Seu objeto de estudo, ao contrário de Leary, não eram produtos de laboratório como o LSD, nem mesmo o símbolo da geração bpm, o ecstasy. Não, McKenna era mais natureba e seus principais focos de atenção eram os cogumelos que contivessem psilocibina, e o DMT, um psicoativo poderoso presente no ahayausca ou mais conhecido no Brasil como Santo Daime.

O DMT, quando fumado, produz um estado alterado de consciência por cerca de cinco minutos que, dependendo da quantidade utilizada, proporcionaria visões que nos permitiriam ter acesso a uma forma superior de inteligência extraterrestre presente desde tempos imemoriais em simples cogumelos silvestres como o Stropharia cubensis . Esta forma não humana de inteligência pode dialogar com o homem neste estado e seria na verdade uma matriz da linguagem proveniente do Logos ou Supermente criadora de todo o padrão presente na natureza desde a sua criação. Pequenos trols e duendes mecânicos falando através de imagens poligonais e bolas de basquete de cristal. Muito pirado? Pois isso é só o começo…

McKenna é um filho típico da contracultura dos 60 e foi estudante em Berkeley. Ao contrário da geração anterior, no entanto, Mckenna não fez o drop-out ( cair fora ) dos hippies. Trouxe, isso sim, o fruto de seus estudos sobre os psicodélicos naturais para um publico vasto e não só acadêmico. Seu esforço em estudar os efeitos desses psicoativos ao longo de toda a vida vem no bojo de uma geração que pode hoje em dia dissertar sobre os psicodélicos em centros de estudo relativamente considerados como Esalem ou o Instituto de Ciências Noéticas.

Seu nome é tão importante quanto o de psicanalistas como Leary, Ralph Metzner ou Stanilav Grof, o estudioso de golfinhos Dr. John Lilly, o bioquímico Rupert Sheldrake ou o matemático Ralph Abraham. Com estes dois últimos por sinal publicou um livro, traduzido no Brasil pela editora Cultrix, chamado Triálogos. Nele são discutidos temas científicos e holísticos como a teoria do caos, a hipótese Gaia, campos morfogenéticos, realidade virtual e êxtases xamãnicos. Junto com Sheldrake e Abraham, McKenna toca em temas vitais para a fringe science (ciência alternativa) de nossa época. A física quântica e a teoria do caos têm permitido à ciência entrar em terrenos antes considerados tabu, e já não parece nem um pouco estranho falar de uma consciência global do planeta, nem em rituais xamãnicos como instrumento de cura.

Tudo isso faria parte de um movimento da humanidade de retorno à cultura arcaica dos povos primitivos e, nesse sentido, as tribos indígenas seriam verdadeiros repositórios da inteligência milenar do planeta e guardiões dos segredos das plantas, do ecossistema e do próprio espírito de Gaia, a Terra.

Esta nova consciência, que já estaria latente em toda a arte e cultura do século vinte como nostalgia do arcaico, muito mais que “ nova era ”, seria o que McKenna denomina de revival arcaico ( archaic revival ), nome por sinal de um de seus livros traduzidos em português, aqui intitulado O Retorno à cultura arcaica. Não muito longe está McKenna do que o cientista Thomas Kühn sabiamente chamou de “ mudança de paradigma” em meados dos anos 60, ao se referir ao estado da ciência com a trilha aberta pela teoria da relatividade e a física quântica, uma vez que o determinismo mecanicista da era de Descartes cai por terra.

McKenna escreveu muitos livros (alguns com seu irmão Dennis, neurobiólogo e etnobotanista), entre os quais O alimento dos deuses (ed. Record, 1995), Alucinações reais ( ed. Record, 1993) The Invisible Landscape (Seabury, 1975) e o livro ilustrado ( com o artista Tim Ely) Synesthesia (Granary Books, 1992). No primeiro, McKenna explora a hipótese de que o ser humano adquiriu a linguagem e a reflexão a partir da ingestão de cogumelos na pré-historia, tese antes cogitada por Henry Munn em Os cogumelos da linguagem ( Oxford University Press, org. Michael Harner, 1973). O livro explora igualmente todo um leque de estimulantes e estupefacientes desde o açúcar, o café e o tabaco passando pelo álcool até chegar na cannabis, no cogumelo e no Soma, a bebida sagrada dos Vedas. Junte a isso, dados históricos de civilizações desaparecidas, estudos de hábitos alimentares e uma antevisão do futuro, e o livro se afigura como uma nova abordagem do surgimento da consciência humana.

Em Alucinações reais, McKenna narra a viagem feita por ele com o irmão à floresta amazônica, buscando os psicodélicos naturais da selva com o auxílio de nativos. Essa viagem marcaria para sempre a vida dos dois irmãos e sua importância mítica na trajetória de ambos fez dela muito mais um rito iniciático que uma exploração de caráter científico. Os insights e visões alucinantes com revelações surpreendentes geraram não apenas a narrativa da aventura em Alucinações como seu antecessor, o incrível e estranho The Invisible Landscape.

Autêntico cult psicodélico escrito junto com seu irmão Dennis McKenna, The Invisible Landscape – Mind hallucinogens and the I-Ching ( ainda sem tradução para o português) é a primeira tentativa de interpretar o choque da revelação de suas experiências com os alucinógenos amazônicos num livro que se utiliza tanto da ciência como da filosofia ocidentais, como diz no prefácio Jay Stevens, autor do super cultuado Storming Heaven – LSD and the american dream. A paisagem invisível de McKenna seria visível nos estados alterados de consciência e nas revelações que trariam consigo. O xamanismo e a esquizofrenia como estados de acesso alterado da mente que por sua vez seriam a base de uma teoria holográfica da mente. Dennis compara os estados da mente sob o efeito de psicodélicos em termos neurobiológicos, culminando com as revelações acontecidas em La Chorera. A segunda parte é Terence interpretando a revelação do cogumelo e tudo para dar a base para sua hipótese de estudar o calendário lunar sob a ótica do I-Ching, hipótese essa que lhe teria sido sugerida por uma estranha inteligência insectóide.

“Nós podíamos sentir a presença de alguma entidade hiperespacial invisível, um alien, que parecia estar nos observando e algumas vezes exercendo influência na situação para nos manter movendo gentilmente para uma resolução experimental das idéias que vínhamos tendo. Por causa da natureza alienígena do transe de triptamina, sua aparente acentuação de temas alienígenas, insectílicos, e futuristas e devido a experiências prévias com triptamina em que transformações alucinatórias e insectílicas de seres humanos foram observadas, nós fomos levados a especular que o papel daquele ser era algo como aquele de um antropólogo vindo dar à humanidade as chaves para a cidadania galáctica” .

O estudo do I-Ching sugerido pela inteligência desconhecida revelou que haveria um padrão rítmico no tempo, um ritmo que dançaria em sua cadência pelo milênio até chegar num Ponto Ômega que os McKenna calcularam como sendo o ano 2012. A onda-tempo zero, o fim da história. As análises de dados calculados com base nos hexagramas do I-Ching do que seria uma ressonância temporal de novidades mostram que em 2012 estaremos chegando a uma culminação tamanha de entrada de novidades na esfera dos acontecimentos que chegaremos a um ponto máximo de sublimação temporal. É igualmente quando acaba o calendário maia.

Em que ecoem Theilhard de Chardin, as idéias de McKenna sobre o ponto ômega deixam mais claro seu fundo gnóstico, como será visto a seguir, e os irmãos têm uma data precisa para seu acontecimento: 22 de dezembro de 2012, quando o mundo cessar de existir tal qual o conhecemos, quando nos uniremos com a entidade cósmica superior ou Supermente global.
Tal situação, segundo McKenna, seria incrementada pela presença de um objeto desconhecido nessa data nos guiando magneticamente na direção da superação da dualidade corpo e mente pela unificação com o Logos.

Se a visão, digamos, milenarista de McKenna prevê um apocalipse, essa visão é pelo menos bem mais alegre, joyeuse, que as distopias de nossos cientistas sociais. Sua positividade é manifesta. Seu caráter festivo não passou alheio ao público raver que no boom zippie de cinco anos atrás cultuou McKenna como um legítimo profeta da pronóia (o contrário da paranóia, ou sensação de que o mundo conspira a seu favor), cuja linhagem utópico libertária teria aproximação com figuras como Charles Fourier, Wilhelm Reich, Norman O. Brown, Hakim Bey, Raoul Vaneigem, Oswald de Andrade, entre outros.
A jóia rara que é Synesthesia é o resultado de um trabalho conjunto com o artista Tim Elly, e contém desenhos originais e imagens pintadas de misteriosos glifos, mapas e devaneios visionários. Objeto só para colecionadores.

Mas o melhor livro para se introduzir no universo McKenna é sem dúvida O retorno à cultura arcaica, um apanhado geral de suas idéias, reunindo entrevistas, textos escritos para revistas, ensaios, palestras. Por sua urgência de interesse, em espantosa simbiose com o atual estado das coisas, este livro é absolutamente imperdível. O revival arcaico de McKenna nos permite leques de iluminações sobre as fronteiras da mente humana, os precursores dos estudos de psicodélicos, a realidade virtual, a idéia do OVNI como entidade psíquica autônoma.

Sua teoria é de que o extraterrestre é na verdade emanação da Supermente, “campo gerado pelos seres humanos, escapando ao controle de qualquer instituição, governo ou religião”. O OVNI desconcerta a comunidade científica e seu constante “reaparecimento” na mídia cotidiana nos diz que o OVNI representa um poderoso mito de nossa época, ao qual também já se voltaram Jung e Reich. Um mito, se provada a existência, capaz de provocar um choque de proporções insuspeitadas, abalando a ciência oficial e criando uma nova religião. Esta incorporaria em torno do OVNI a mesma devoção arquetípica que o cristianismo aplicou à Ressurreição.

Igualmente surpreendentes são suas conjecturas sobre o amor extraterrestre, isso mesmo, a recente “dimensão erótica” do fenômeno dos discos voadores. Por mais divertidas ou absurdas que possam parecer a miríade de temas abordados por McKenna, a leitura fluida e rápida pelos tópicos mais pirantes na leveza de uma entrevista, que volta e meia reaparecem sob novos prismas em ensaios, funciona caleidoscópicamente para o leitor. Não que suas idéias, é claro, possam ser aceitas com facilidade.

Válidas ou não, a verdade é que as teorias de McKenna repercutem polêmicamente no meio científico. Em que pese os que contestam seu cálculo da onda-tempo zero, McKenna é referência para vários pesquisadores importantes de àreas como biologia, etnobotânica, antropologia ou psicologia.

Mas essas teorias tem um outro subtexto, não científico: a gnose. A visão de mundo gnóstica tem tido um crescente reavivamento de interesse desde a descoberta dos manuscritos de Nag Hammadi, Egito, em 1945. O conhecimento da gnose, que se desenvolveu com o cristianismo e teria raízes em certas seitas gregas, foi praticamente extinto no terceiro século da era cristã por dizimação e perseguição da igreja apostólica. Os manuscritos descobertos no Egito oferecem visões insuspeitadas dos mitos e memes bíblicos, versões diferentes do Gênese, intensa valorização do feminino em certos textos, novas facetas de um cristo irreconhecível talvez, textos pagães, retorno da mitopoética já presente em toda a tradição gnóstica ocidental como no Pistis Sofia descoberto no século dezenove.

A Gnose nos diz que vivemos no mundo do demiurgo, um mundo falso criado por um falso deus que se vale dos seus asseclas, os reguladores ou arcontes, para manter a ordem. Além deste mundo estaria o Pleroma, onde respira a vibração cósmica do Logos, o verdadeiro criador. Uma interpretação simplificada desse mito iniciático significa que vivemos na ilusão de um ego que é o próprio inimigo do homem pois a respiração cósmica não está fora mas dentro dele mesmo, enquanto o ego o mantém na ilusão da existência.

Esta visão brevíssima e superficial da mitopoética gnóstica aparece sob diversas formas nos evangelhos achados em Nag Hammadi. As versões inusitadas e surpreendentes do Cristo e de mitos do velho testamento tem sido exploradas com profundidade e ousadia pela estudiosa Elaine Pagels, que acrescenta sua visão feminina e polêmica das interpretações bíblicas de Nag Hammadi contrapostas às da igreja tradicional.

Theilhard de Chardin, sob o viés mesmo do catolicismo, explorou hipóteses de inegável fundo gnóstico como a do Ponto Ômega de convergência e do Logos, que atribui ao Deus católico. Não obstante a predominância de tal religião sobre sua cosmovisão místico-científica, a Igreja proibiu que o estudioso publicasse seus estudos em vida, só vindo estes a lume post-morten, no que poderia muito bem se admitir que o principal motivo dessa censura fosse a presença subliminar de conceitos gnósticos nas teorias de Chardin.

A gnose e a visão do mundo ao contrário cabe bem em nosso mundo de crescente virtualização. A inversão, o pulo no espelho do Orfeu de Cocteau como estrátegia de conhecimento e de iniciação, tema constante, mesmo um leitmotiv em tantos filmes e ficções do presente como Matrix, o Show de Truman, A vida em preto e branco (Pleasantville), para ficar em apenas três filmes recentes, nos quadrinhos Promethea de Alan Moore, na adoração que artistas como Lydia Lunch ou a banda Sonic Youth lhe devotam, no mito da alucinação consensual coletiva dos cyberpunks como William Gibson, em teses de críticos musicais influentes como Greil Marcus, a arquitetura visionária de Paolo Soleri ou o desenho animado Aeon Flux.

Se o pop ficou gnóstico, é questão a se discutir. Mas o fato é que a gnose pode fornecer muitas chaves para se entender a ficção e ou fenômenos reais como o Heaven’s Gate, mas igualmente para se ler McKenna e o fundo místico de suas idéias.

Não à toa, Erik Davis, brilhante jornalista, entre outros, do Village Voice e da famosa revista Gnosis, criou o termo de tecnognose. O livro, Techgnosis, saiu no ano passado e foi bastante elogiado por sua “história profana” da gnose em nossa época secularizada. Davis enxerga gnose nos lugares mais escondidos, de notas de dólar à arquitetura administrativa, de enredos de séries de tevê a supermercados, e simbologias antes ocultas, mas cotidianas e casuais ressurgem com outra aparência, o desvelar arcano de seu significado. Davis por assim dizer reencanta o mundo reificado da globalização corporativa capitalista com novas interpretações de ritos simbólicos repetidos infinitamente em escala mundial. O próprio conceito da tecnognose seria mesmo essa relação contemporânea de simbiose da tecnologia com a mística gnóstica no subconsciente contemporâneo.

Aqui se encaixa perfeitamente a união que McKenna faz da ciência com a exploração iniciatória dos limites da imaginação e do êxtase. Seu otimismo entusiasmado em relação às possibilidades da realidade virtual como libertadora da linguagem seria um exemplo entre tantos de uma tecnognose mckenniana.
De qualquer forma, a presença de McKenna é um espectro subliminar mas constante no imaginário atual. Suas idéias inspiram bandas eletrônicas como Spacetime Continuum e System 7, tribos de zippies e ravers, quadrinhos como Os Invisíveis de Grant Morrison, sites psicodélicos ou contraculturais como o Levity (www.levity.com), Disinformation (www.disinfo.com), The Bomb (www.barbelith.com/bomb/) ou Hyperreal(www.hyperreal.org).

Tudo bem, depois de tudo que foi dito acima, pode ser que você ainda não veja razão alguma para ler McKenna. Mas pare um pouco. Lembra daqueles livros que depois de ler ainda ficam vários dias mexendo com as idéias de sua mente? É…Aquela sensação de barato, sabe, estado alterado de consciência atingido sem nenhuma droga ou estimulante, como o estado de graça em que a gente fica quando assiste um filme maravilhoso. Pois o barato de McKenna é justamente esse. Só de ler você já fica em estado ampliado de consciência.

Os animais e totens de poder.

O animal de poder é um espírito aliado que presta ajuda e orientação para seu crescimento.

Uma das ferramentas mais poderosas para o crescimento pessoal do Xamã é o trabalho com os espíritos animais. Para os mais experientes neste caminho, os animais podem aparecer freqüentemente, principalmente quando se necessitam do auxílio deles. Mas encontrar um Animal de Poder às vezes pode ser uma tarefa difícil. O modo mais fácil para começar a trabalhar com os animais de poder é estudar primeiro as habilidades naturais do animal e seus modos de como metaforicamente você vai aplicá-las em diversas situações na vida. Por exemplo, por causa de sua visão, a águia poderia lhe ajudar a manter uma visão de suas verdadeiras metas. Uma imagem de uma águia capturando sua presa é uma ferramenta poderosa para ajudá-lo alcançar metas. Tais imagens servem para lhe dar a força que você precisa para manter sua visão e metas. Também estudando os modos naturais do seu animal, ajuda a criar um laço poderoso entre você e seu animal, permitindo assim o ajudar até mesmo em sua vida animal.

Estude também algum outro significado que esse animal pode ter em outras culturas. Por exemplo, para alguns: o urso representa introspecção, o colibri representa alegria, e o leopardo representa poder interno. Nós podemos usar estes mitos para nos ajudar a conectar com nossos animais de poder e como um enfoque para entender o que esses animais vieram nos ensinar.

Assim que você estabelecer uma conexão forte com seu animal de poder, você poderá convocá-lo quando desejar para auxiliá-lo e aconselhá-lo. Geralmente essa comunicação se dá pela Jornada Xamânica ou uma voz interna.

Outro modo xamânico que você pode usar para conectar os seus animais de poder é utilizar um enfoque (um objeto físico para representar o animal) que pode ser um quadro, uma imagem, uma reprodução em miniatura, uma parte do corpo (um dente, uma asa). Qualquer um desses objetos poderá ser-lhe útil em sua conexão com ele. Segure o objeto e procure sentir a energia fluindo pelas mãos e tomando conta de todo seu ser dando-lhee a paz e o respeito necessário para a conexão.

Outro modo xamânico de conectar com seu animal é imitar o movimento dele. Este é um modo saudável para conectar com seu animal. Exercite esses movimentos para livrar-se da tensão. Combinando esses movimentos através da dança, você verá que esse ritual irá ajudar o fortalecimento espiritual e a sua conexão com seu animal.

É muito importante dentro do xamanismo, que você se transforme regularmente no seu animal, para que ele sinta-se satisfeito e possa permanecer ao seu lado. Esse espírito animal que existe na nossa mente-corpo, deseja ter a alegria de existir na forma material. Temos que encarar esse fato como uma permuta, pois tal como o ser humano deseja sentir a realidade incomum tornando-se um Xamã, também o animal de poder deseja sentir a nossa realidade entrando no corpo de um ser humano vivente. E você pode fazê-lo imitando os seus movimentos, criando uma ‘dança’ que vai possibilitar o animal se expressar através de seu corpo.

Não só a dança é um meio de manter o animal ao nosso lado. Outro modo para expressar seu modo de vida, é lançar do artifício das emoções, imitando os filhotes do seu animal. Chore, sinta-se solitário e deixe seu corpo emitir qualquer som para que você sinta-se mais vivo. Sinta o piar, grunhir, uivar entre outros. Estes filhotes representam a dor de experiências passadas, como também ajudam a aumentar sua conexão com o animal.

Na maioria das vezes esses animais são seus aliados, e para saber isso é melhor pedir uma confirmação física de algum tipo. Entre em sua mente e pergunte se tal animal é seu aliado; peça que ele revele isto para você de alguma maneira dentro de uma semana. A Confirmação pode ser de muitas formas: achando pegadas, vendo um programa de televisão e então surge o animal, quadros ou estatuetas dos animais. Espere para ver o que vai acontecer. Você poderá ser surpreendido!

Se após você receber a confirmação, ainda esteja com dúvidas, peça uma confirmação física uma vez mais. Não se preocupe caso não receba nenhuma confirmação, você pode tentar outras técnicas para achar seus animais de poder.

Para que você comece a trabalhar com seu animal de poder, tudo o que você precisa, é ter respeito por seu animal. Lembre-se que o animal veio fazer com você uma parceria que visa orientar você em seu crescimento pessoal e espiritual.

Os benefícios da bebida sacramental Ayahuasca.

A polêmica entorno da bebida ayahuasca se dá devido à falta da vivência da experiência divina.

Pessoas de pouca fé comentam a respeito de experiências que não vivenciaram, observando o contexto de conceitos estabelecidos por uma vida conduzida pela ilusão. É possível que estas pessoas tenham tido até algumas experiências com a ayahuasca, porém, não existiu senão o confronto com a vibração em que estavam, o que nem sempre é agradável. A experiência em Deus depende do ser em si, a ampliação consciencial, bem como o trabalho diário pelo amor através da devoção, pode trazer ao ser um estado de iluminação por diversos meios, como por exemplo através da meditação. Somente pessoas que passaram por experiências divinas com o uso da ayahuasca é que podem conhecer o valor da experiência e desta bebida. Na verdade, muitos seres precisam de mais tempo para reconhecer o valor da utilização deste veículo de ascensão consciencial.

Existe a necessidade do chá ayahuasca? Não há necessidade obrigatória da utilização de plantas de poder, mas sim, da energia necessária às transformações necessárias à experiência divina, com a abertura consciencial que é proporcionada rapidamente ao ser com a utilização da ayahuasca, ele pode mais rapidamente se adaptar e se conduzir para a experiência divina, o contato com o sagrado ser que habita nosso interior e tudo que existe.

A ayahuasca proporciona a abertura necessária à ampliação consciencial que nos leva a perceber a presença divina. É claro que cada qual deve perceber a necessidade do contato divino e o caminho que melhor se adapta às suas relações consigo e com o Todo. O samadhi descrito pelos iogues é conseguido através de práticas que acumulam energias, alguns xamãs usam a água e suas energias para obter esse contato, o tantra utiliza a energia sexual, alguns exercícios podem, se praticados com perfeição e dedicação, levar à abertura de nosso ser. A planta de poder fornece ao ser a energia necessária para a comunhão com o Pai-Mãe Amado.

É necessário a correta condução da energia para que se chegue onde se quer, pois o ser pode simplesmente utilizar a energia para tolices e futilidades e, desta maneira, o contato divino é adiado até que o ser decida-se a buscar a Deus.

A polêmica é justamente gerada pelos seres que, fazendo uso da ayahuasca, não conduzem energia com intenção em Deus e deparam-se com os seres que se alimentam das energias perdidas nas trilhas incertas da ilusão. Infelizmente, somente alguns enxergam a necessidade de mudar esta conduta e identificar-se com as leis divinas que regem o universo.

Os manipuladores que mantém o véu da ilusão se utilizam de alguns meios através dos quais tentam conduzir as atitudes das pessoas, a sociedade atual é comandada pela ilusão, através da conduta considerada apropriada (falsos padrões comportamentais já arraigados), a qual na verdade nos leva à perda da energia necessária à nossa busca do divino. Os manipuladores tem nos meios de comunicação seu maior instrumento de manipulação, sendo que, nem sempre é tarefa fácil perceber que os artifícios usados por eles tentam nos aproximar mais do mutável e perecível, afastando-nos do real e eterno. As pessoas agem mais seguindo aquilo que comanda a atual fase social que os manipuladores projetam na sociedade, como por exemplo a sensualidade, os jogos de paixões e conquistas, o misticismo que é a falsa busca de Deus, etc.

Para se entender um caminho dármico* é necessário almejar a conduta reta, seja ela conduzida por meio de plantas de poder ou não. A grande conquista que sentimos ao trilhar o caminho da planta de poder é a ampliação energética de nossas capacidades, o que nos leva rapidamente a perceber os defeitos de nossa personalidade, criados a partir da identificação com o meio em que vivemos, com o mutável, para, então, transformá-los e viver a experiência divina.

Por que o chá ayahuasca pode nos iluminar?

Primeiramente a utilização do chá abrange três aspectos: a limpeza, a energização e a elevação.

A limpeza: existem seres que podem passar existências inteiras somente neste item, que é relacionado com a mudança de atitudes. Primeiramente existe uma necessidade de livrar o corpo de toxinas ingeridas pela alimentação inadequada, pelo fumo, ácool, drogas, etc. O corpo tratará de expurgar estas impurezas, mesmo que por meio de sofrimento, no caso de persistência no erro. Então, surge da consciência a necessidade de mudar atitudes que identificam-se com o mutável irreal, a ilusão, mostrando a necessidade de transformação. A mudança energética é a libertação, assim, a limpeza proporciona uma vida mais tranqüila e feliz.

A energização: a energização é feita quando os chakras estão livres das paixões e vícios do mundo dual, pois só assim a energia permanecerá, e caso contrário, ela se esvai com pensamentos e ações ilusórias. Quando os sete chakras giram cheios de energia, a essência liga-se ao Pai-Mãe Amado, atingindo a elevação que é a experiência divina. Este contato renova o ser e o ensina pela sabedoria infinita que se faz presente em cada célula física, astral e essencial que existe no ser.

A presença de ayahuasca nos oferece a energia necessária para a limpeza, energização e elevação, basta que queiramos o certo, o caminho que leva a Deus. Benefícios Espirituais Proporcionados Pela Ayahuasca

O coração é o caminho onde encontrarás a margem do rio que te levará ao mar do infinito.
Quando por meio da concentração atingirmos a capacidade de agir energeticamente, nos transportando e atuando nos âmbitos que desejamos, realizaremos através da capacidade espiritual, sem que o corpo seja responsável por essa atitude, estaremos poupando em muito o tempo da nossa encarnação.

Exemplo: Para visitarmos alguém a quem precisamos ajudar, precisamos de um meio de locomoção e tempo para nos encaminhar até o local em que a pessoa se encontra, caso ela nos receba, existe uma chance de ajudá-la. Através da concentração podemos mentalmente enviar a ela nossa vibração harmônica, o que ajuda mais do que qualquer palavra. Podemos ainda desenvolver a capacidade de projeção e atuar junto à pessoa em nível astral.

Através da ayahuasca, você pode inteirar sua vida mais rapidamente ao poder divino e aprender a libertar-se de karmas e, ao ouvir seu coração, andará no caminho dármico. A ayahuasca fornece a energia necessária ao aprendizado de si mesmo e o espírito da verdade clareia no caminho a ser seguido quando usado em contexto religioso, por isso, destacamos a necessidade da condução da experiência pelo discernimento e pelo amor.

Perceba quando suas energias se concentram na evolução ou quando são apenas sugadas por coisas inúteis que ocupam seu pensamento, e saiba se conduzir evitando as pedras do caminho. Quem utiliza energia de maneira errada terá de responder por isso e devolver em igual intensidade, desta maneira, podemos nos libertar de karma ou gerar muito karma.

Benefícios Físicos Proporcionados Pela Ayahuasca

Esta energia poderosa circula por nossas células, revigorando nossos corpos físico e astral. Todo benefício espiritual está intimamente ligado ao benefício material, porque ação gera reação, as doenças só existem em conseqüência de nossas atitudes, quando estas seguem as leis divinas, nós nos identificamos com darma, e nos libertamos de karma, que é gerador de doenças.

Os milagres ocorrem do eterno ao mutável, quando o espírito aprende suas lições, ele se identifica com darma, e não há necessidade de aprendizado pelo karma, pois o ser já sabe identificar-se com o imutável.

Uma mente mais saudável e equilibrada surge quando o caminho dármico é seguido, gerando saúde em todas as áreas de nosso ser.
O espírito são gera corpos sãos, a cada defeito que vencemos, ganhamos saúde, energia e equilíbrio.

Benefícios Mentais Proporcionados Pela Ayahuasca

A mente sã é aquela que equilibra a atuação dos seres nos mundos físico e astral, a mente não é a essência, mas sim um instrumento do crescimento da mesma.
Através da mente controlamos a energia que flui de um nível a outro, quando abusamos do poder mental levados pela inquietação e insatisfação, somos conduzidos ao desequilíbrio pelas forças ocultas negativas, que se alimentam da energia consumida indiretamente por linhas de pensamentos desgovernadas.

Toda atitude mental desequilibrada está ligada ao desejo ou ao apego, o que deu vazão à criação de uma ilusão que o ser alimenta com toda energia que pode captar. Somente quando se reconhece que se direciona mal a energia vital é que se modifica o desequilíbrio.

Por isso a ayahuasca deve ser utilizada de maneira criteriosa, conduzida espiritualmente por seres ascencionados, de forma que a energia não se esvai e sim, conscientiza. Desta maneira, o tratamento constante restabelece o discernimento e a capacidade de manter-se equilibrado, direcionando o ser para sua missão verdadeira, libertando-o da ilusão que consumia suas forças.

Irmãos de Órion.
Mensagem recebida em 09/11/99.

* O darma é a ação – pensar, falar e agir – com consciência e cumprimento das leis divinas. O ser que anda no caminho dármico já não gera reações, não está preso ao karma – onde há uma ação há uma reação correspondente -, caminha com leveza no mundo dual, identificando-se com o imutável em suas atitudes.